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100 anos de Orson Welles: um legado em imagens

Com uma personalidade maior do que a vida, o realizador e protagonista de «O Mundo a Seus Pés» viveu o cinema intensamente, deixando imagens inesquecíveis.

Nasceu em Kenosha, no Estado de Wisconsin (EUA) a 6 de maio de 1915 e faleceu em Hollywood a 10 de outubro de 1985, vítima de ataque cardíaco.

Estes são os dados objetivos sobre George Orson Welles.

Desde muito jovem um prodígio e consumado artista, com uma personalidade maior do que a vida e com a confiança inabalável que o levou a realizar aos 26 anos aquele que é muitas vezes considerado o melhor filme da história do cinema, «Citizen Kane / O Mundo a Seus Pés», a sua biografia é difícil de fazer porque ele se foi encarregando de a reescrever ao longo dos anos, exagerando os factos ou criando fantasias - não era por acaso a sua grande paixão pela magia -, onde se projetava, naturalmente, como o protagonista central.

É verdade que fundou em 1936, com o ator John Houseman, o grupo Mercury Theater, que além de espectáculos na Broadway, fazia programas de rádio. Um deles, uma adaptação e dramatização de «A Guerra dos Mundos», de H. G. Wells, em formato de boletim informativo, na noite de Bruxas a 30 de outubro de 1938, provocou momentos de histeria nos EUA quando muitos acreditaram que extraterrestres tinham mesmo invadido a Terra.

A polémica e popularidade foram tais que um estúdio de cinema, a RKO, convidou-o para fazer o que quisesse em Hollywood.

«O Mundo a Seus Pés» ajudou a criar uma linguagem cinematográfica moderna que durou até à atualidade, mas era também uma mal disfarçada ficção sobre o magnata da imprensa William Randolph Hearst, que não poupou esforços para lhe fechar as portas de Hollywood.

De facto, «Citizen Kane» foi a única vez que Welles fez um filme no seio da indústria sem qualquer interferência.

Orson Welles diria que não gostava de cinema excepto quando fazia um filme. E se assim era, viveu-o intensamente até ao fim da vida, emprestando a sua inconfundível voz ou a progressivamente larga figura como ator a filmes, por vezes de qualidade duvidosa, para angariar dinheiro para os seus projetos como realizador, alguns deles nunca terminados.

Viveu reis, cardeais e outras grandes figuras pois, como afirmou, por causa da sua natureza, era «um ator para grandes personagens». Mestre da criação e transformação, deixou imagens inesquecíveis que vale a pena recordar.

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