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30 anos depois, os atores de «Karate Kid» abraçam o legado e são todos amigos

«Momento da Verdade» ou, como é mais conhecido, «The Karate Kid», é um dos clássicos do cinema popular dos anos 80. Ralph Macchio, William Zabka e Martin Kove voltam a recordá-lo este fim de semana numa reunião especial em Nova Iorque.

Tem a mais elegante e audaz técnica da história cinematográfica do Karaté. Deu origem a mais filmes, uma série de animação, viciantes jogos de vídeo, brinquedos e uma vaga de inscrições nas escolas de artes marciais. E tudo começou apenas com a história da amizade, e do que ela significava, entre um aluno e o seu mestre.

«The Karate Kid», «Momento da Verdade» na tradução nacional, é um dos títulos símbolo dos anos 80. Frases como «Wax on, wax off», «Mercy is for the weak!», «Sweep the leg!» e «Put him in a body bag, Johnny! Yeah!» entraram na cultura popular logo naquele verão de 1984, quando os filmes ficavam vários meses nas salas de cinema.

Nas escolas, os rapazes não falavam de outra coisa do que não fosse Daniel San, o jovem que se mudava para uma cidade grande, ia parar a uma nova escola, conhecia a rapariga dos seus sonhos, que por azar era a antiga namorada do valentão local, que o começava a perseguir, e acabava salvo por um velhote, que lhe ensinaria os princípios do Karaté.

Parece simples, mas o enredo, universalmente conhecido, contado de forma sincera e emocionante com personagens, principais e secundárias, perfeitamente identificáveis, é hoje ensinado nas aulas de escolas de cinema como um modelo de estruturação.

«The Karate Kid» tornou-se instantaneamente uma febre e um momento de nostalgia que o sucesso subsequente em vídeo reforçou ainda mais. Uma nova versão, lançada em 2010, produzida por Will Smith e protagonizada pelo filho Jaden Smith, não só não fez esquecer como ainda evidenciou mais as qualidades intemporais do original.

O impacto cultural é tão grande que, ao longo de 2014, os atores foram convidados para várias celebrações, 30 anos depois da estreia do filme com o qual as suas carreiras estarão para sempre associadas.

Este sábado, isso volta a acontecer em Nova Iorque, onde terá lugar uma sessão especial e debate com a presença de Ralph Macchio (Daniel LaRusso), William Zabka (Johnny Lawrence) e Martin Kove (o «Sensei» John Kreese).

William Zabka tinha 17 anos quando interpretou aquela que viria a ser uma das personagens mais odiadas dessa década: Johnny Lawrence, o cretino valentão loiro que aterrorizava os mais fracos do liceu e era membro destacado do clube de karaté Cobra Kai. O impacto foi tão grande que, a partir daí, todos os filmes com adolescentes tiveram de ter uma figura semelhante.

Numa entrevista de antecipação do encontro em Nova Iorque à publicação USA Today, o ator falou sobre a forma como «The Karate Kid» marcou a sua vida até hoje e como vários dos seus colegas se tornaram amigos para a vida.

«Os tipos que interpretaram todos os Cobra Kais são alguns dos meus melhores amigos. Estou sempre a ver o Marty Kove [que interpretou o «Sensei» John Kreese]. Rob Garrison [famoso pelo expressão «Put him in a body bag»] acabou de estar em minha casa durante uma semana. Bobby e Jimmy [Ron Thomas e Tony O’Dell] vivem mesmo ao pé de mim. Há cerca de 10 anos, voltei a ter contacto com o Ralph [Macchio].

Zabka confessa que só recentemente se apercebeu completamente do efeito que o filme teve na cultura «pop» e numa certa geração, que vai ao seu encontro na rua, incluindo seguranças dos aeroportos. «Fizemos a edição especial em DVD, acho que aos 25 [anos]. O Ralph e eu fizemos o comentário [áudio] durante o filme e sorrateiramente atingiu-nos [o efeito]. Nos anos 80, o filme esteve nas salas de cinema durante seis meses, o que não acontece nos tempos que correm. Chegam e partem num fim de semana. De certa forma, ele começou a penetrar na cultura «vox populi». Acho que é preciso este tempo todo para perceber que está para ficar».

Tal como Macchio ainda hoje tem o carro amarelo que poliu, o 1948 Ford Super De Luxe, prenda do produtor, e chamou Daniel a um dos filhos, Zabka guardou a jaqueta de couro vermelho. Houve anos em que, no entanto, a sua relação com o icónico filme foi menos pacífica, mas já lá vão: «Pode-se ser aquele artista, e eu conheço muitos, que estão num momento cristalizado do tempo e ficam ressentidos. Eu não. Acho que é divertido. De qualquer forma, não afeta a minha vida. Estou a fazer o que quero e estou contente com a direção que tomaram a minha vida e carreira. De certa forma, acabei por abraçar vagamente o fenómeno».

E em relação ao que este pensa que a sua personagem anda a fazer?

«Acho que ele está no negócio imobiliário. Anda algures a lançar casas».

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