“A fábrica de nada” é o único filme português na lista de 51 pré-selecionados, de 31 países, divulgada hoje na página oficial da Academia Europeia de Cinema na Internet.

Nas próximas semanas, os cerca de três mil elementos da Academia Europeia de Cinema irão escolher os nomeados nas várias categorias, cujos vencedores serão decididos por um júri constituído por sete pessoas.

As nomeações serão anunciadas a 04 de novembro, no Festival de Cinema Europeu de Sevilha, em Espanha, e os vencedores serão revelados na 30.ª cerimónia dos prémios da Academia Europeia de Cinema a 09 de dezembro em Berlim.

"A fábrica de nada", que chega às salas portuguesas de cinema a 21 de setembro, estreou-se em maio no Festival de Cannes, onde venceu o Prémio Fipresci, da Federação Internacional de Críticos de Cinema, a que se seguiu o prémio CineVision, em junho, em Munique, para melhor novo filme.

"A fábrica de nada", com três horas de duração, é interpretado por atores e não atores e segue a vida de um grupo de operários que tentam segurar os postos de trabalho, através de uma solução de autogestão coletiva, e evitar, assim, o encerramento de uma fábrica.

Pedro Pinho assina a realização, mas o filme de ficção foi construído em conjunto com Luísa Homem, Leonor Noivo e Tiago Hespanha, a partir de uma ideia de Jorge Silva Melo e da peça de teatro "A fábrica de nada", de Judith Herzberg.

Em Cannes, o filme de Pedro Pinho foi considerado também o melhor de todas as secções do festival, de acordo com a soma final dos críticos presentes no evento, sendo só superado pela série televisiva "Twin Peaks", de David Lynch.

"A fábrica de nada" teve estreia mundial na Quinzena dos Realizadores, secção paralela do Festival de Cannes. O diretor artístico da Quinzena dos Realizadores, Edouard Waintrop, destacou "A fábrica de nada" pelo "uso de uma variedade incrível de géneros cinematográficos: é praticamente um 'thriller' no início, tornando-se íntimo, político, social, fazendo um breve desvio para a comédia musical."

Em julho, o filme venceu o prémio CineVision do Festival de Cinema de Munique.

“O prémio CineVision para melhor novo filme foi para ‘A fábrica de nada’, de Pedro Pinho. O júri considerou o filme ‘um drama comovente, um musical peculiar, um documentário preciso, um ensaio desafiador – compre quatro por um com este excelente filme em tempos de turbo capitalismo”, referiu na altura a organização do festival.