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A marca do cinema alternativo: Arranca hoje o IndieLisboa

O festival vai decorrer entre 3 e 14 de maio. A abertura é com "Colo", de Teresa Villaverde, o encerramento passa pelo concorrente ao Óscar de Melhor Documentário "I Am not Your Negro".

Um dos maiores eventos cinematográficos de Portugal, o IndieLisboa, avança para a sua 14ª edição, que tem como espaços principais os cinemas São Jorge e Ideal, a Culturgest e a Cinemateca.

No ano passado, segundo a organização, 30 mil espectadores passaram pelas salas; em 2017 o objetivo é, certamente, aumentar. O SAPO Mag conversou com um dos diretores, Miguel Valverde, para saber das novidades.

A força do cinema português

A abertura dá-se com material nacional: num ano em que o cinema português já começa prestigiado internacionalmente (passagens e prémios por Sundance, Rotterdão, Cinema du Reel e Berlim), recai, como natural, a escolha de um projeto que a organização já acompanhava desde 2016: “Colo”, de Teresa Villaverde, que chegou à competição da Berlinale com um retrato da crise económica em Portugal.

Valverde comemora, a propósito, a força das produções lusas, relatando dificuldades na hora de escolher seis projetos, entre 15, para a mostra competitiva.

“Uma das vocações mais importantes do IndieLisboa foi sempre ajudar a produção nacional. E este ano temos uma das seleções mais fortes de sempre”, notou.

Prova de vitalidade, as ficções, sempre em número diminuto, alcançam mais da metade (quatro) – para além das sessões especiais.

Competição internacional

Apesar de propostas bastante experimentais (“Somniloquies”, “El Mar La Mar”), documentários (“Boli Bana”, “The Challenge”) e registos na sempre presente docuficção (“El Viejo Calavera”), a competição deste ano é bastante marcada por um cinema narrativo.

É o caso de projetos como o canadiano “Werewolf”, do “road movie” brasileiro “Arabia” e, principalmente, de obras de marcado “storytelling” – como o chinês “Ciao Ciao” e o filipino “Ordinary People”.

Filme de encerramento: temas raciais em tempos de crise

Já para o encerramento está prometido um filme de impacto – o concorrente ao Óscar de Melhor Documentário e recém-exibido na Berlinale “I Am not Your Negro”.

Com narração de Samuel L. Jackson, a obra inspira-se num manuscrito de 30 páginas sobre líderes como Martin Luther King e Malcom X para tecer um atualíssimo comentário sobre o racismo na América.

“Parecia uma tarefa impossível, fazer um filme a partir das descrições da forma como estão no livro, mas aqui tudo funciona, para além de fazer todo o sentido nos dias de hoje. Penso que é um filme certeiro de encerramento, pois faz com que as pessoas terminem o festival e refletir e, eventualmente, tornarem-se mais interventivas”, observa Valverde.

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