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«Argo» ganhou só três mas foi o grande vencedor dos Óscares

«A Vida de Pi» foi a fita mais premiada da noite, mas foi «Argo» a levar para casa o troféu mais cobiçado de todos: o Óscar de Melhor Filme. Daniel Day-Lewis, Jennifer Lawrence, Anne Hathaway e Christoph Waltz foram os atores premiados.

Feitas as contas, quase todos os filmes saíram da cerimónia com Óscares: «A Vida de Pi» ganhou quatro, «Argo» e «Os Miseráveis» conquistaram três, «Lincoln», «Django Libertado» e «007 - Skyfall» receberam dois e «Guia para um Final Feliz», «00h30 - A Hora Negra» e «Amor» recolheram um. Dos nomeados a Melhor Filme, só «Bestas do Sul Selvagem» saiu da cerimónia de mãos a abanar.

«Argo» confirmou todas as apostas ao ganhar o Óscar de de Melhor Filme do ano (recebido pelo realizador Ben Affleck e também pelos produtores Grant Heslov e George Clooney), sendo apenas a quarta vez em 85 anos de história da Academia que isso acontece com um filme que não teve sequer nomeação ao Óscar de Melhor Realização.

Affleck não deixou de agradecer a todos os que o ajudaram a subir ao podium 15 anos depois da primeira vez por «O Bom Rebelde», recordando que por muito que alguns vaticinassem o seu fim o mais importante é voltar a ficar de pé depois de uma queda. O filme recebeu ainda os galardões de Melhor Argumento Adaptado e Melhor Montagem.

Com «Lincoln», Daniel Day-Lewis bateu um recorde ao tornar-se o único intérprete da história a ganhar três vezes o Óscar de Melhor Ator, e não deixou de ironizar com a sua fama de encarnar em demasia as personagens ao agradecer à sua mulher, Rebecca Miller, por ter vivido os últimos 15 anos com vários homens diferentes.

Ang Lee venceu pela segunda vez o Óscar de Melhor Realizador, uma vez mais por um filme que perderia a estatueta de Melhor Filme. Em 2006, ele já tinha ganho por «O Segredo de Brokeback Mountain» mas viu o galardão principal ir para «Crash - Colisão», e agora triunfa com «A Vida de Pi» mas perde o prémio de Melhor Filme para «Argo». Mesmo assim, o seu filme foi o que mais estatuetas levou para casa, arrecadando ainda as de Melhores Efeitos Visuais, Melhor Fotografia e Melhor Banda Sonora, da autoria de Mychael Danna.

Jennifer Lawrence protagonizou sem querer um dos momentos da noite quando ganhou o Óscar de Melhor Atriz por «Guia para um Final Feliz» e lhe sucedeu o que todos os vencedores dos Óscares mais temem: uma queda aparatosa a caminho do palco. A intérprete reagiu bem ao desastre, ironizando que o aplauso de pé que recebeu foi uma compensação generosa pelo sucedido.

Nas interpretações secundárias, tudo correu como esperado, com Anne Hathaway e Christoph Waltz a ganharem, resptivamente, por «Os Miseráveis» e «Django Libertado». Este último filme valeu ainda a Quentin Tarantino o segundo Óscar de Melhor Argumento Original da sua carreira (o outro foi por «Pulp Fiction»).

Mais inesperada foi a vitória de «Brave - Indomável» na categoria de Melhor Longa-Metragem de Animação, batendo «Força Ralph» e «Frankenweenie», que partiam como favoritos, embora todos os três sejam produzidos pela Disney.

Na cerimónia em que se celebraram os 50 anos de James Bond no cinema, a Academia atribuiu pela primeira vez o Óscar de Melhor Canção a um filme da série, «007 - Skyfall», partilhado por Paul Epworth e pela própria cantora Adele, que não conseguiu conter as lágrimas.

Pela raridade, o evento mais inesperado na cerimónia foi o de haver um empate, na categoria de Melhores Efeitos Sonoros, cujo Óscar foi repartido en «00h30 - A Hora Negra» e «007 - Skyfall», que terão recebido exatamente o mesmo número de votos. Isso só tinha sucedido três vezes na história: em 1995 na categoria de Curta-Metragem de Imagem Real, em 1969 na categoria de Melhor Atriz (partilhada por Barbra Streisand e Katharine Hepburn, respectivamente por «Funny Girl – Uma Rapariga Endiabrada» e «Um Leão no Inverno») e em 1932 (com Frederic March e Wallace Beery a terem uma diferença de um voto, o que as regras da Academia à epoca ainda permitiam ser suficiente para atribuir o galardão a ambos).

Mas o grande vencedor da noite acabou por ser Seth MacFarlane, que provou ser um dos melhores anfitriões da era pós- Billy Crystal, rivalizando até com o muito elogiado Hugh Jackman. O criador de «Family Guy» não se limitou a distribuir piadas no início da cerimónia, como é habitual, mas foi verdadeiramente imparável em termos de humor do início ao fim, muitas vezes com um lado politicamente incorreto que não se associaria imediatamente à Academia de Ciências e Artes de Hollywood. Ainda por cima, não descurou a música, com um número de encerramento dedicado a todos os perdedores cantado a meias com Kristin Chenoweth, e uma performance musical no início que incluiu o número dedicado aos seios das atrizes, atuação que imediatamente se tornou viral nas redes sociais.

O espetáculo foi, aliás, dedicado à música no cinema e, além dos clássicos da Sétima Arte que iam surgindo como música de acompanhamento, houve muito mais números ao vivo que o habitual. Adele cantou o tema de «007 - Skyfall», Norah Jones o de «Ted», Shirley Bassey provou que ainda tem a garganta de sempre com «Goldfinger» na homenagem a 007. Houve ainda Barbra Streisand a emocionar com «The Way we Were» no final do obituário em homenagem ao falecido compositor Marvin Hamslisch e, olhando para os musicais da última década, Catherine Zeta-Jones cantou e dançou «All that Jazz» de «Chicago», Jennifer Hudson mereceu aplausos de pé por «And I Am Telling You I'm Not Going» de «Dreamgirls», e todos o elenco de «Os Miseráveis» subiu ao palco para dar voz a um «medley» do filme.


Eis a lista completa de vencedores


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