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Banalidade impera em novo filme de Kate Winslet

Ao lado de Matthias Schoenaerts, a atriz é a protagonista de «Nos Jardins do Rei», realizado pelo também ator Alan Rickman.

«Nos Jardins do Rei» há cenários majestosos, um elenco sólido, diálogos interessantes e… pouco mais.

A história passa-se em França, no século XVII, quando Luís XIV (Alan Rickman), o Rei Sol, era o monarca incontestável. É ele quem contrata um renomado arquiteto paisagista, André Le Nôtre (Matthias Schoenaerts), para que este crie um projeto audacioso para um novo espaço nos aprumados jardins do Palácio de Versalhes. Por sua vez, Le Nôtre emprega Sabine de Barra (Kate Winslet), que tem uma forma muito particular de ver e concretizar as suas ideias artísticas, fugindo à ordem que imperava na época.

Apesar de a relação começar por ser algo conflituosa, devido às inevitáveis diferenças visões artísticas, os dois começam a conhecer-se e acabam por apaixonar-se. Só que tudo estará ameaçado quando a vingativa esposa de Le Nôtre (interpretada por Helen McCrory) entrar em ação…

Alan Rickman já pouco terá a provar enquanto ator, mas o mesmo já não se verifica na sua carreira na realização. Ora, esta é a sua segunda obra, após «O Convidado» (1997), mas o que mais fica do filme acaba por ser a sua demasiada simplicidade. Tudo começa pela génese da história, que é pouco apelativa e dificilmente desenvolvida numa longa-metragem. O resultado é o arrastar da narrativa em alguns momentos dispensáveis e que pouco contribuem para a essência do filme.

A realização é também ela banal, acentuando a previsibilidade que percorre toda a obra – até mesmo os flashbacks que preenchem o filme em tudo fazem adivinhar alguns dos pormenores que, entretanto, são revelados. Não obstante, há aspetos positivos, como uma direção artística irrepreensível, um guarda-roupa sumptuoso e uma banda-sonora que complementa em boa medida a narrativa.

Para salvar, de certa forma, o filme existe o elenco, em que a principal estrela é Kate Winslet. A atriz britânica raramente falha e, neste caso, acaba mesmo por ser o grande motivo por que a obra ainda valha a pena. Winslet agarra a personagem e atribui-lhe dimensão expressiva e emocional, sendo bem acompanhada por Schoenaerts, apesar de este não parecer encontrar totalmente o tom certo da personagem. Jennifer Ehle e o próprio Alan Rickman também não desiludem, recheando a obra com alguns momentos louváveis. Stanley Tucci também acrescenta algum interesse à obra com o seu carisma.

Pouco imaginativo ou inovador, «Nos Jardins do Rei» é um simples filme de época que pouco acrescenta ao Cinema, a não ser um belo guarda-roupa e uma interpretação magistral de Kate Winslet. Esperava-se mais flores deste jardim…

2 em 5
Tatiana Henriques

REVISTA METROPOLIS

Artigo do parceiro

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