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Ben Affleck tentou esconder que teve antepassado dono de escravos

A estrela fez o pedido aos realizadores de um documentário, de acordo com emails da Sony revelados pela Wikileaks.

Ben Affleck pediu aos realizadores de um documentário para não revelarem que teve um antepassado que era dono de escravos, revelaram emails publicados pelo Wikileaks.

O ator era o tema de um episódio da série «Finding Your Roots» [Descobrir as suas Raízes], do canal PBS, que eventualmente optou por não usar a informação.

Na correspondência que começou a ser trocada a 22 de julho de 2014, Henry Louis Gates, da universidade de Harvard e apresentador do programa, pede a Michael Lynton, chefe executivo da Sony, conselhos sobre como lidar com o pedido inédito da estrela conhecida pelo seu apoio às causas liberais.

Affleck nunca é citado por nome nas comunicações entre Gates e Lynton, mas como «mega estrela» e «Batman». Na altura, estava a filmar «Batman v. Superman: Dawn of Justice» em Detroit.

«Aqui está o meu dilema: confidencialmente, pela primeira vez um dos nossos convidados pediu para retirarmos algo sobre um dos seus antepassados - o facto que que era dono de escravos. Agora, quatro dos nossos cinco convidados esta temporada descendem de esclavagistas, incluindo Ken Burns [realizador e documentarista]. Nunca tivemos ninguém a tentar censurar ou editar o que encontrámos. Ele é uma mega estrela. O que fazemos?»

Lynton responde no mesmo dia: «A grande questão é quem sabe que o material está no documentário e a ser retirado. Eu tiraria se ninguém soubesse, mas se fica a saber-se que estás a editar a informação baseado neste tipo de sensibilidade fica complicado. No entanto, se fosse igual, definitivamente retirava.»

Após mais trocas de impressões, ambos decidem que censurar a informação colocaria em causa a integridade editorial. E que seria pior ainda se se soubesse: «Iria embaraçá-lo e comprometer a nossa integridade. Acho que ele está a ser mal aconselhado. Ofereci-me para voar para Detroit, onde ele está a filmar, para falarmos sobre isto», afirma Gates.

Eventualmente, o programa emitido a 14 de outubro desse ano deixou de fora a informação, mas tanto Gates como o canal defenderam em comunicados separados este fim de semana que não se tratou de censura, mas de uma escolha editorial quando apareceram antepassados mais interessantes de Ben Affleck.

«Para qualquer convidado, descobrimos sempre mais histórias sobre antepassados na sua família do que alguma vez poderíamos utilizar», declara Gates, acrescentando que donos de escravos eram muito comuns na série e que Ken Burns e o jornalista Anderson Cooper eram dois convidados nessa situação.

No caso do ator, «decidimos avançar com a história que usámos sobre este antepassado fascinante que se tornou ocultista a seguir à Guerra Civil. A história deste indivíduo era completamente invulgar: nunca tínhamos antes descoberto alguém assim.», acrescentou.

O canal PBS destacou que a troca de emails torna claro «como o professor Gates leva a sério a integridade editorial».

Os representantes de Ben Affleck optaram por não comentar a notícia.

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