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Cannes: Filmes de Andrey Zvyagintsev e Todd Haynes marcam primeiro dia de competição

"Loveless", um drama que denuncia uma Rússia desumanizada, e o filme em tons de fábula "Wonderstruck", com Julianne Moore e Michelle Williams, abriram a competição oficial do Festival de Cannes pela Palma de Ouro.

Após o prémio especial do júri da secção Un Certain Regard por "Elena" em 2011 e o de argumento por "Leviatã" três anos mais tarde, o cineasta russo Andrey Zvyagintsev regressou à Croisette com "Loveless" ("Nelyubov").

A sua quinta longa-metragem continua a aprofundar a situação no país, que descreve como estando a afundar-se no individualismo e na hipocrisia, sem valores ou sentimentos.

"Não posso imaginar-me a fazer algo que não me emocione. O que quero tratar são os problemas, que acredito serem importantes", declarou na conferência de imprensa coletiva, acrescentando ter-se inspirado numa história verídica para escrever o argumento.

Para capturar essa Rússia desumanizada, o cineasta optou por um retrato comovente de uma família despedaçada: Boris e Zhenya são um casal de classe média moscovita que, depois de anos de casamento, não se suporta mais e decide separar-se.

Cada um tem um novo projeto de vida, ele ao lado de uma jovem grávida e ela com um homem acomodado. Contudo, ainda vivem sob o mesmo teto e, mais importante, precisam decidir o que fazer com o seu filho Aliocha, de 12 anos, que é visto como um empecilho para os seus futuros.

Num ambiente de tensão, o jovem é testemunha de discussões e, finalmente, depois de um confronto violento, foge. Os pais são então confrontados com a sua busca. A polícia, sem meios suficientes, pouco pode fazer e é uma associação de voluntários dedicada a encontrar pessoas desaparecidas que assume o caso.

Inspirado por "Cenas da Vida Conjugal", de Ingmar Bergman (1973), Zvyagintsev filma sobriamente este casal, sempre ligado aos seus telemóveis.

Com imagens de grande beleza, Zvyagintsev mostra paisagens desoladoras, edifícios em ruínas, blocos de apartamentos, todos esses lugares inóspitos onde o jovem pode ter-se escondido, reflexo de um país insensível.

"A perda do filho pelos seus pais é para a Rússia uma metáfora da perda do relacionamento natural e normal com o nosso vizinho mais próximo, a Ucrânia", declarou o realizador russo, numa referência ao conflito no leste ucraniano.

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