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Casa da Música quer conquistar cinéfilos com cine-concertos

Clássicos, filmes de animação, películas oscarizadas e curtas-metragens vão ganhar novas bandas sonoras a partir de 7 de fevereiro na Casa da Música, no ciclo Invicta.Música.Filmes.

O ciclo Invicta.Música.Filmes vai promover cine-concertos que reafirmam a relação inseparável do cinema com a música. Trazendo ao ecrã e ao palco filmes como «O Deserto Vermelho» (na imagem), de Michelangelo Antonioni, «Aurora», de F. W. Murnau, ou «Un Chien Andalou», de Luis Buñuel, a Casa da Música pretende «chegar ao público cinéfilo» e «trazer pessoas que nunca entraram na Casa da Música», afirmou o diretor artístico da instituição, António Jorge Pacheco, em conferência de imprensa esta segunda-feira.

O ciclo celebra também o centenário do primeiro filme português com distribuição internacional. «O Naufrágio do Veronese» mostra os trabalhos de salvamento dos passageiros de um paquete naufragado em Matosinhos. O filme foi feito pela produtora Invicta Film, uma das pioneiras da indústria cinematográfica em Portugal.

As imagens épicas do navio naufragado serviram de inspiração para o ponto alto deste novo ciclo da Casa da Música: um espetáculo da Orquestra de Jazz de Matosinhos com músicas encomendadas para acompanhar «O Naufrágio do Veronese». Na mesma noite, dia 26, passam uma série de novas curtas-metragens que tiveram como mote o Porto de Leixões. Também estas curtas contam com música feita de propósito para a ocasião.

É o caso de «Cruzeiro» do realizador João Canijo que vai receber uma composição de Mário Laginha. A curta-metragem centra-se na chegada de um cruzeiro no Porto de Leixões e em como este acontecimento afeta (ou não) o dia-a-dia no porto.

«É a tragédia da vida humana, um momento especial para uns que é indiferente para outros», explicou ao SAPO Cinema João Canijo. O tema para a curta surgiu «quase de imediato» e a «única preocupação foi o tamanho do barco», conta o realizador, que fez questão de filmar um dos maiores cruzeiros a atracar no Porto de Leixões.

A obra só estará completa no dia 26 quando poderá ser vista com a música de Mário Laginha. Apesar de ainda não conhecer a composição, João Canijo, realizador de «Sangue do Meu Sangue», confessa que quando estava a montar o filme chegou a pensar numa proposta musical.

Todos os filmes apresentados vão contar com novas criações musicais. No dia 7, o primeiro filme a cores do cineasta italiano Michelangelo Antonioni, «O Deserto Vermelho», é apresentado com a música dos alemães Jazznova. O clássico de Luís Buñuel, que teve a colaboração de Salvador Dali, ganha uma nova banda sonora pelo Remix Ensemble (dia 19). A música do filme «Aurora», de F. W. Murnau, vencedor de três Óscares, fica a cargo da dupla Nuno Costa e Óscar Graça (dia 12).

Há ainda novas obras musicais para acompanhar filmes de animação e dois concertos pela Orquestra Sinfónica e um pelo Coro Casa da Música que evocam a música no cinema, com especial destaque para o cinema italiano.

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