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China salva receitas de Hollywood

Face à crise do mercado americano, as receitas internacionais de filmes como «Transformers: Era da Extinção» e «Maléfica» equilibram os balanços dos estúdios, mas existe um custo-extra.

Foi o verão negro para os estúdios de cinema nos Estados Unidos, onde as receitas das bilheteiras baixaram 15% em relação a 2013. Não espanta por isso que estes estejam ainda mais dependentes das receitas do mercado internacional para equilibrar as contas.

A boa notícia é que continua forte o apetite estrangeiro pelos filmes de grande orçamento de Hollywood, principalmente no mercado brasileiro e chinês. No Brasil, o mercado cresceu 17% nos primeiros 9 meses, para um total de 605 milhões de dólares. O mais visto foi «Maléfica», contribuindo para que 68% das receitas do filme provenham do mercado internacional.

No grande país asiático, a subida foi ainda maior: 32%, 3,55 mil milhões de dólares, quase tanto quanto rendeu 2013. O grande campeão, «Transformers: Era da Extinção», foi responsável por mais de 300 milhões; por comparação, no mercado norte-americano ficou-se pelos 245, suficiente apenas para ser o quarto mais rentável de 2014. De facto, 77% das receitas do filme de Michael Bay vêm de fora do país.

Para compensar o declínio do mercado americano, as receitas internacionais dos últimos três meses de 2014 têm de se manter 4% acima das do ano passado, o que, dado o calendário de lançamentos, que inclui títulos como «Fúria», «The Hunger Games» e «Interstellar», parece concretizável.

No entanto, existe um aspeto menos positivo: os estúdios não recebem tantas receitas do mercado internacional. Na China, normalmente a percentagem fica entre os 25 e 40%, enquanto no mercado americano chega aos 50. E embora o mercado russo continue a florescer, a crise política e económica fez cair a cotação do rublo em relação ao dólar, o que se traduziu, na prática, por uma quebra de 8,6%.

Os estudos de mercado indicam ainda que os filmes estão a perder o público mais adulto, presente principalmente em países como a Alemanha, França, Grã-Bretanha e Japão, que se traduziram em perdas de mais de 8% até setembro. Em Portugal, onde só existem resultados fechados até agosto, as salas perderam 6,7%.

Assim sendo, se os espetadores internacionais começarem a ser desviados das salas de cinema para outras formas de entretenimento, como está a suceder com os norte-americanos, os estúdios ficarão com um problema ainda maior entre mãos.

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