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Christopher Nolan explica o final de «Inception»

O realizador britânico falou do controverso e ambíguo final com o pião a girar durante um discurso aos licenciados da Universidade de Princeton.

«Inception - A Origem» tem sido debatido desde que estreou no verão de 2010 e depois de muitas evasivas, Christopher Nolan ofereceu a sua interpretação sobre o ambíguo desfecho durante um discurso aos licenciados da Universidade de Princeton.

O realizador e argumentista explicou que vê o conceito de realidade no filme, como na vida, como algo completamente subjetivo.

No final do «thriller» sobre uma equipa de ladrões que exploram e manipulam as alegadas diferentes camadas de sonhos existentes dentro das mentes das pessoas para servir os propósitos de quem os contrata, o seu líder, Dominick Cobb (Leonardo DiCaprio), reúne-se com a família nos EUA, país onde estava proibido de entrar. Por via das dúvidas, coloca um pião a girar, mas acaba por não esperar para ver o que acontece e a câmara move-se então em direção ao pião a girar antes deste parecer estar a oscilar e corta para o vazio.

Mais cedo no filme, fora estabelecido que este era um totem pessoal para o ajudar a determinar se estava a sonhar ou não: se continuasse a rodar infinitamente, o seu dono estava no sonho de outra pessoa; se caísse, estava no mundo real.

«Na grande tradição destes discursos, normalmente alguém diz algo do género «Persigam os vossos sonhos», mas não vos quero dizer isso porque não acredito. Quero que vocês persigam a vossa realidade», começou por explicar Nolan aos estudantes, de acordo com o The Hollywood Reporter.

«Num certo sentido, sinto que, com o tempo, começamos a ver a realidade como o primo pobre dos nossos sonhos. Quero apresentar-vos o caso de que os nossos sonhos, as nossas realidades virtuais, essas abstrações que apreciamos e de que nos rodeamos, são subconjuntos da realidade.», acrescentou, antes de fazer a ligação com o filme.

«Cobb, a personagem de Leonardo DiCaprio, estava com os seus filhos, estava na sua própria realidade subjetiva. Ele já não quer saber e isso é uma afirmação: de que talvez todo os níveis de realidade são válidos.»

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