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Cinema de Espanha e Brasil domina Monstra - Festival de Animação de Lisboa

A Monstra - Festival de Animação de Lisboa terá em março a maior edição de sempre, com mais de 250 filmes, sobretudo de Espanha e Brasil, os dois países convidados deste ano, anunciou hoje o diretor, Fernando Galrito.

A 12ª edição da Monstra - Festival de Animação de Lisboa decorrerá de 7 a 17 de março no cinema São Jorge, embora esteja prevista programação noutros espaços, como o Museu da Marioneta, a Fundação Calouste Gulbenkian e algumas escolas de Lisboa. Pela primeira vez haverá dois países convidados - Espanha e Brasil - culturalmente próximos, mas cuja obra cinematográfica em animação é quase inédita entre o público português, salientou Fernando Galrito, ditretor do evento.

Do Brasil será exibida cerca de uma centena de filmes e na ocasião será prestada homenagem ao realizador Chico Liberato, de 72 anos, pioneiro no cinema de animação brasileiro e que estará em Lisboa para mostrar, a par de obras antigas, o mais recente filme, «Ritos de Passagem» (na imagem).

A partir de 11 de março, o cinema do Brasil dará lugar ao de Espanha, com a exibição de filmes de animação em núcleos específicos para as diferentes regiões, da Galiza ao País Basco, e com uma homenagem a Segundo de Chomón, realizador contemporâneo de Georgés Mèlies, nos primórdios do cinema.

A Monstra volta a focar-se no Japão, convidando a estar em Lisboa o jovem realizador Mirai Misué, e apresentando também em estreia em Portugal e em competição «From up on Poppy Hill», o mais recente filme de Goro Miyazaki, filho do célebre cineasta Hayao Miyazaki.

Este ano a competição internacional é dedicada apenas a longas-metragens e da seleção de 11 filmes fazem ainda parte, por exemplo, «Letter to Momo», de Isao Takahata (o mesmo que assina «O Túmulo dos Pirilampos», que também será exibido), «Une Vie de Chat», produção francesa de Jean Loup Felicioli e Alain Gagnol nomeada ao Óscar, e «O Apóstolo», do espanhol Fernando Cortizo.

De entre as várias competições do Monstra, Fernando Galrito destacou a participação das escolas - 65 filmes escolhidos entre 486 submetidos a concurso - e o prémio SPA/Vasco Granja, para produções profissionais portuguesas.

Neste prémio, que integra no júri Afonso Cruz, Jorge Wemans e o realizador espanhol SAM, competem «Do Céu e da Terra», de Isabel Aboim Inglez, «Kali, o Pequeno Vampiro», de Regina Pessoa, «O Cágado», de Luís de Matta Almeida e Pedro Lino, «O Refugiado», de Rui Cardoso, e «Sanguetinta», de Filipe Abranches.

Há vários aniversários de filmes importantes que a Monstra celebrará, como os de «Kirikou e a Feiticeira» , de Michel Ocelot (faz 15 anos), «Quem Tramou Roger Rabbit», de Robert Zemeckis (25 anos), «Akira», de Katsuhiro Otomo (25 anos), «Boi Aruá», e Chico Liberato (30 anos), e «O Planeta Selvagem», de René Laloux (40 anos). Serão ainda homenageados dois animadores muito importantes, falecidos recentemente: o russo Fyodor Khitruk e o holandês Gerrit van Dijk.

Entre os convidados deste ano que apresentarão sessões e farão «workshops» ou «masterclasses», contam-se nomes como Anna Solanas, SAM, Gil Alkabetz, Sergey Merinov, Theodore Ushev e Alfonso Rodrigues, um dos criadores da série «Pocoyo».

Como o público mais novo representa uma grande fatia dos espetadores do Monstra, o festival mantém a secção Monstrinha, que terá sessões tanto para escolas como para famílias.

A programação, que poderá ser consultada no site oficial, terá várias masterclasses e oficinas com muitos dos convidados estrangeiros, sobre práticas e experiências no cinema de animação.

Em 2012, o festival contou com 38 mil espetadores, valor que Fernando Galrito considera relevante, porque o Monstra trabalha «também na construção de novos públicos».

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