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Cinema Ideal abre ao público a 28 de agosto e estreia filme de Joaquim Pinto

O Cinema Ideal, em Lisboa, vai reabrir a 28 de agosto com a estreia em sala do premiado filme de Joaquim Pinto «E Agora? Lembra-me», foi anunciado pelos responsáveis do projeto, a Midas Filmes e a Casa da Imprensa.

A recuperação do cinema mais antigo da capital, que já foi Salão Ideal, depois Cinema Ideal, Cine Camões e Paraíso, foi anunciada em dezembro do ano passado pelos promotores e o edifício tem estado em remodelação. Contactado pela agência Lusa, Pedro Borges, da produtora e exibidora Midas Filmes, indicou que o Cinema Ideal abrirá nesse dia com filme de Joaquim Pinto «E Agora? Lembra-me» e também com a reposição de «A Desaparecida», de John Ford.

Está igualmente prevista a estreia, a 11 de setembro - mês em que o Cinema Ideal cumpre 110 anos - do filme «Os Maias», de João Botelho, na versão longa, de realizador, que segundo Pedro Borges será um exclusivo do Cinema Ideal.

Numa parceria com a Cinemateca, herdeira dos filmes de Paulo Rocha (1935-2012), o novo espaço cultural irá também exibir a última longa-metragem deixada pelo realizador, intitulada «Se eu Fosse Ladrão, Roubava». No âmbito desse trabalho com a Cinemateca, também serão exibidas cópias restauradas de dois filmes de Paulo Rocha dos anos 1960: «Os Verdes Anos» e «Mudar de Vida».

O projeto de recuperação, do arquiteto José Neves (Prémio Secil de Arquitetura 2012), custou cerca de 500 mil euros, incluindo equipamento.

«O nosso objetivo é mostrar sobretudo cinema português, nomeadamente documentários, e também filmes estrangeiros clássicos», disse Pedro Borges à Lusa. Na opinião do produtor, «o país precisa de espaços para mostrar cinema português em condições», e daí a aposta neste projeto, que diz ir «contra a catástrofe a que se está a assistir de desaparecimento dos cinemas de bairro, mas também em alguns centros comerciais».

«A reabertura do Cinema Ideal é uma tomada de posição contra isto», sublinhou o responsável, que lidera o projeto em parceria com a Casa da Imprensa, proprietária do edifício, que o libertou dos antigos inquilinos para o regresso como espaço cultural.

Pedro Borges lamentou que a Secretaria de Estado da Cultura (SEC) não tenha dado qualquer apoio ao projeto, «nem sequer com uma palavra de incentivo».

«Depois da divulgação, no ano passado, surgiram muitas pessoas a aplaudir este projeto e a dar apoios, nomeadamente da Câmara Municipal de Lisboa, mas da SEC nada».

«O secretário de Estado da Cultura [Jorge Barreto Xavier], é o principal responsável pela crise que o cinema português está a viver no país», acusou, precisando que, por exemplo, a tutela «retirou o que havia de bom na Lei do Cinema, e assinou um despacho hipócrita que anunciou o encerramento do cinema Londres». Para o produtor, «indiferença» e «negligência» são as palavras de definem a atuação da tutela da cultura na área do cinema.

A Lusa tentou obter uma reação da SEC sobre esta posição de Pedro Borges, mas até ao momento não obteve resposta.

O Cinema Ideal, localizado na Rua do Loreto, com uma capacidade de cerca de 200 lugares, uma cafetaria e uma livraria, vai estar aberto cerca de 14 horas por dia, e ao fim de semana terá sessões para famílias.

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