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Cinema português em diálogo com autores estrangeiros a partir de hoje em Lisboa

O documentário «Trás-os-montes» (1976), de António Reis e Margarida Cordeiro, abre hoje um ciclo em Lisboa, que pretende celebrar o cinema português, pondo-o em diálogo com realizadores internacionais.

O ciclo é organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo Harvard Film Archive, a cinemateca da Universidade de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos da América, e contará hoje com a presença em Lisboa do cineasta húngaro Béla Tarr e do artista e realizador norte-americano Ben Rivers. O programa, que irá prolongar-se até julho de 2014, com 12 ciclos de filmes e debates, «não é apenas uma celebração, mas uma intervenção para mostrar que o cinema português é importante e único», afirmou o diretor da cinemateca de Harvard, Haden Guest, num encontro com jornalistas em Lisboa.

«O cinema português apanhou-nos de surpresa pela audácia, inovação e brilhantismo. Na minha cabeça estava a pujança do cinema português num tempo de crise financeira», sublinhou.

O objetivo do programa é ter em Lisboa «alguns dos mais importantes realizadores de todo o mundo, para dialogarem com cineastas portugueses», disse.

Além do filme de António Reis e Margarida Cordeiro, entre hoje e domingo serão exibidos, por exemplo, «O Cavalo de Turim» (na imagem), de Béla Tarr, e «This is my Land», de Ben Rivers. O ciclo de dezembro irá pôr em diálogo a cinematografia de Paulo Rocha (falecido há um ano) com a dos cineastas Nelson Pereira dos Santos e Víctor Gaviria.

Tanto o realizador brasileiro Nelson Pereira dos Santos, 85 anos, uma das referências do Cinema Novo Brasileiro, como o escritor e realizador colombiano Víctor Gaviria estarão presentes na sessão, em Lisboa.

Esta iniciativa surge na sequência de uma programação que a cinemateca de Harvard tem vindo a fazer nos últimos anos sobre o cinema português – «um baú de tesouros que estamos a descobrir», disse Haden Guest, que já exibiu ciclos dedicados, por exemplo, a João César Monteiro, Pedro Costa, João Pedro Rodrigues e Manoel de Oliveira.

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