Artigo

Comerciantes exigem embargo de obras de conversão do cinema Londres numa loja

O movimento de comerciantes do bairro onde funcionou o cinema Londres, em Lisboa, exige o embargo das obras de conversão do espaço numa loja, e prepara um projeto cultural com zona comercial, disse um representante à Lusa.

Carlos Moura-Carvalho, um dos elementos do Movimento de Comerciantes da Avenida Guerra Junqueiro, Praça de Londres e Avenida de Roma, afirmou hoje à agência Lusa que foi requerido à Secretaria de Estado da Cultura e à Câmara Municipal de Lisboa o embargo das obras de transformação do antigo cinema Londres numa loja chinesa de retalho.

«A IGAC [Inspeção-Geral das Atividades Culturais] confirmou-nos que não foi pedida a desafetação de atividade cinematográfica do espaço, ou seja, as obras que estão a decorrer são ilegais porque não foi feita a autorização devida», explicou o comerciante.

Contactado pelo agência Lusa, o representante do proprietário garantiu que as obras estão ser feitas dentro da legalidade e disse desconhecer aquela limitação do ponto de vista imobiliário do espaço.

O movimento de lojistas daquele bairro tem andado há várias semanas a tentar impedir que o antigo cinema dê lugar a um loja, tendo em mãos uma proposta de criação de um pólo cultural, com cinema e uma zona comercial.
«Sabemos que os arrendatários estão dispostos a sair, mas querem ser ressarcidos do dinheiro que já investiram nas obras. Apresentaram três ou quatro condições. Estamos a reunir informações e apoios para poder apresentar um projeto, com parceiros privados e as autoridades», referiu Carlos Moura-Carvalho.

O representante do proprietário do Londres não confirma qualquer intenção de os arrendatários chineses abdicarem do espaço: «As obras continuam, mas eles têm receio de retaliações, só para ver como as coisas estão. Os comerciantes estão mais preocupados com a concorrência».

Carlos Moura-Carvalho disse, por seu turno, que o movimento não voltou a ter contacto com os representantes do proprietário do espaço desde meados de dezembro, depois destes terem alegado, segundo o comerciante, que «tinham esgotado o diálogo».

«Se não tivermos uma resposta das autoridades sobre o embargo das obras, ponderamos fazer queixa ao provedor de Justiça», disse este porta-voz do movimento de comerciais, que considera existir espaço no bairro para a existência de uma sala de cinema e de outras valências ligadas à cultura.
Este cinema de bairro - um dos últimos a funcionar em Lisboa, fora de um centro comercial - fechou em 2013, depois de a exibidora Socorama ter entrado em falência.

No início de janeiro, o representante do proprietário explicou à Lusa que o contrato para a loja chinesa só avançou «depois de dez meses de conversações goradas» com vários organismos e pessoas ligadas à cultura, para que o Londres tivesse ainda um aproveitamento de caráter cultural.
Em causa terá estado o elevado custo das obras profundas de que o espaço precisa, onde funcionaram duas salas de projeção e zona de restauração.
A Socorama retirou todo o recheio do espaço, incluindo cadeiras, projetor, ecrã e ainda algumas obras de arte, nomeadamente uma escultura de parede de João Cutileiro e uma obra do pintor Noronha da Costa, propriedade da exibidora.

Comentários