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Cortar violência em «Os Mercenários 3» foi um erro, reconhece Stallone

O ator acha que o fracasso do filme se deveu à tentativa de chegar a mais pessoas e promete um regresso às raízes puras e duras.

«Os Mercenários» nunca foi uma saga com orçamentos ou receitas de «blockbuster». Promovida e elogiada por ser da velha guarda, «old school», com custos (relativamente) controlados e ação pura e dura com recurso aos duplos e não efeitos especiais, era, acima de tudo, um divertimento despretensioso liderado por Sylvester Stallone e outras estrelas que dominaram o cinema do género durante os anos 80 e meados de 90.

Fossem pelos méritos ou o peso da nostalgia, o sucesso inesperado do primeiro filme em 2010, tanto no cinema como no circuito vídeo, originou uma sequela lançada dois anos mais tarde que repetia a receita original com mais ambição.

Então, as receitas nos EUA diminuíram substancialmente, de 103 para 85 milhões de dólares, mas o mercado internacional compensou a quebra, passando dos 171 para 220. Um novo filme, era, pois, um passo natural.

No entanto, quando já se anunciavam o quarto e quinto filmes, aconteceu algo inesperado com «Os Mercenários 3» nos EUA: as receitas ficaram abaixo dos 40 milhões de dólares e tornou-se um dos grandes fracassos do verão de 2014. E a saga só sobreviveu ao golpe graças aos 167 milhões que o terceiro filme rendeu a nível internacional.

Agora, numa entrevista ao sítio Crave Online para promover o lançamento em vídeo, Stallone não foge do tema nem aligeira responsabilidades: foi um «erro de cálculo horrível da parte de todos tentar chegar a uma audiência maior, pois ao fazê-lo, diminui-se a violência esperada por parte dos espetadores». E numa referência direta a «Os Mercenários 4», acrescentou: «Tenho a certeza absoluta que isso não vai voltar a acontecer».

O ator tem, no entanto, um argumento de peso para se ter procurado obter a classificação etária PG-13, que permitia o acesso às salas dos adolescentes: «isto é um grande conflito para mim pois num filme com classificação R [onde os jovens só têm acesso desde que acompanhados por um adulto], é difícil acreditar que não morre nenhum dos heróis. Pessoalmente, acredito mesmo que as personagens se tornam identificáveis e o seu desaparecimento poderia lançar uma nuvem negra sobre os espectadores ao saírem dos cinemas depois de verem o filme. Mas isso pode mudar em «Os Mercenários 4»».

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