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Crítica «Dentro da Tempestade»

Os efeitos especiais estão simplesmente perfeitos, mas o argumento é de tal forma amador que filmes catástrofe como «O Cume de Dante» e «Vulcão» parecem clássicos do género.

Steven Quale, realizador que adquiriu experiência ao lado de James Cameron como diretor de segunda unidade em «Avatar», dirige um filme catástrofe (ou será uma catástrofe de filme?) inspirado pelo flagelo provocado pelos poderosos tornados nos vários estados norte-americanos que se situam no perigoso corredor intitulado de «tornado alley».

A realização preferiu uma abordagem ao estilo de um «reality-show« onde o espetador segue o encalço dos acontecimentos destrutivos em que o drama e a intensidade da acção são filtrados através dos personagens e dos dispositivos de imagem que salpicam o filme (câmaras de filmar, câmaras de vigilância, telefones). As vidas pessoais dos vários personagens atingem igualmente a tempestade perfeita: pais com problemas; filhos com saudades; colegas quezilentos; e um «gang» de idiotas a serem idiotas.

O vórtice da narrativa centra-se num grupo de caçadores de tempestades que anda às turras por vários problemas, desde o financiamento da sua investigação aos palpites falhados e ao facto de não encontrarem uma única tempestade num par de meses. Em paralelo temos um diretor de uma escola (Richard Armitage) entre mãos com uma cerimónia de graduação e problemas familiares com os dois filhos. Os restantes personagens são carne para canhão.

Neste cenário de turbulência humana entram em acção as estrelas da companhia: os tornados sedentos por destruição. Os «twisters» assumem várias formas e feitios e possuem um poder de sucção que não está ao alcance dos melhores aspiradores. Nesse momento, «Dentro da Tempestade» adquire a forma de puro espectáculo de entretenimento com casas arrasadas e carros e aviões pelo ar. Os efeitos especiais estão simplesmente perfeitos, é um trabalho excecional.

A filtragem da acção pelas várias câmaras em cena não perturba o espetáculo, mas também não transmite uma maior sensação de realismo - é uma opção falhada. Os personagens estão mal caracterizados e são pateticamente previsíveis pois possuem a densidade de papel de 80 gramas. O argumento é de tal forma amador que filmes catástrofe como «O Cume de Dante» e «Vulcão» parecem clássicos do género.

As comparações com «Tornado» são certamente injustas: o filme de Jan de Bont, com cerca de 20 anos de existência (!), está a milhas de distância desta tempestade. Perdeu-se a oportunidade de conferir densidade e realismo humana numa real e injusta luta entre o homem e a Natureza, mas «Dentro da Tempestade», apesar de tudo isso, é uma obra para se visionar em sala e indicada a todos os «pipoqueiros» e adeptos do cinema espetáculo ao sabor do vento...


Jorge Pinto
Revista Metropolis

Artigo do parceiro

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