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Crítica «Match Point»

Um «thriller» que usa a metáfora do ténis para mostrar a importância da sorte na vida.

Woody Allen é um ator versátil e um realizador criativo, sempre à procura de novos meios para contar melhor as suas histórias, já que também é um argumentista excecional. Mas, mais do que tudo isso, consegue (quase) sempre surpreender-nos.

«Match Point» é um ímpar exemplo disso mesmo. Não se trata de uma crítica de costumes recheada de momentos de humor sagaz e irónico, como habitual em Allen, mas não deixa de ser uma obra reflexiva e envolvente. Na verdade, é um impactante «thriller» que usa a metáfora do ténis para mostrar a importância da sorte na vida: quando a bola toca na tela, tudo pode mudar no próximo segundo e o vencedor é decidido.

Esta é a tónica da obra, que tem como personagem principal o ambicioso Chris Wilton ( Jonathan Rhys-Meyers), um professor de ténis que conhece uma jovem rica e ingénua, Chloe Hewett ( Emily Mortimer), que se apaixona perdidamente por ele, apesar de apenas ser usada como um meio para vencer na vida. Até que ele conhece Nola Rice ( Scarlett Johansson), uma sedutora aspirante a actriz, que vai fazê-lo perder os seus limites e, quem sabe, a sua sorte…

A obra passa-se em Londres, local perfeito para uma ambiência de sedução, suspense e algum caos dramático. A escolha dos actores é intocável, com uma surpreendente Scarlet Johansson, que rouba a cena e enche o ecrã em cada encontro magnetizante com o protagonista.

«Match Point» não será um filme típico de Woody Allen, mas é um filme especial e diferente, unindo a genialidade criativa do nova-iorquino com a narrativa policial sobre o poder da sorte que, em última instância, pode definir quem vence e quem é vencido. O cineasta cria um «thriller» frio e calculista, mas embrenha a obra com a sua marca, plena de momentos cinematográficos que só poderiam ser criados por ele.


Tatiana Henriques
Revista Metropolis

Artigo do parceiro

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