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Crítica «O Agente da Broadway»

Entre as obras-primas de Woody Allen, o idílico «Broadway Danny Rose» é a menos festejada.

Entre as obras-primas do senhor Allan Stewart «Woody» Konigsberg «Allen», o idílico «Broadway Danny Rose» (1984) é a menos festejada, embora tenha dado lucro aos cofres da Orion Pictures. O projeto consumiu 8 milhões de dólares para sair do papel, mas, uma vez filmado, rendeu 10 nas bilheteiras americanas, tendo concorrido aos Óscares de melhor realização e melhor argumento. Allen «abocanhou» ainda o prémio do Writers Guild of América (WGA), o sindicato dos argumentistas, pelo longa-metragem. Formalmente requintado, o filme é edulcorado pela fotografia em preto e branco clicada por Gordon Willis, de «O Padrinho» (1972).

Numa interpretação mais inspirada do que o convencional, Allen vive Danny Rose, um caça-talentos e empresário de artistas de segunda, como um sapateador perneta, um ventríloquo gago e o «crooner» Lou Canova. Este é vivido vivido pelo cantor Nicola Antonio Forte, cujo pseudónimo é Nick Apollo Forte. Lou pode deitar a perder um «show» montado por Danny Rose graças às saudades que sente do colo de sua paixão: Tina ( Mia Farrow), amante de um «gangster». Ao fazer Tina reaproximar-se de seu rouxinol balofo, Danny descobre os prazeres do bem-querer no decote da rapariga. Essa descoberta transforma o que deveria ser uma comédia sobre pessoas deslocadas numa «love story» doida sobre encontros, desencontros e desconexões, endereçada com piadas sobre a estranheza nossa de cada dia.


Rodrigo Fonseca
Revista Metropolis

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