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Crítica «O Inimigo Público

Enquanto filme, está muito datado e é até difícil de rever.

O que dizer sobre «O Inimigo Público»? Começo pelo que me impulsionou: queria rever alguns «gags» que me ficaram gravados na memória para todo o sempre.

O argumento conta-se em duas linhas: o protagonista Virgil Starkwell ( Woody Allen)é um falhado em tudo o que tenta fazer, desde tocar violoncelo a assaltar bancos.

E pronto, é mais ou menos isto. Revendo o filme (ao jeito de documentário com narração «off») posso ainda dizer, com boa vontade, que sorri ao rever os tais «gags» que tinha memorizado. São ainda originais, como a pistola de sabão que derrete à chuva, o corte de um quadrado de vidro de uma montra de joias sem levar uma única peça, os dois bonecos de ventríloquos a dialogarem na prisão, os dois grupos de assaltantes em votação para ganhar o direito ao assalto, os pais disfarçados de Groucho Marx, enfim, tudo continua a ter piada.

Mas enquanto filme, está muito datado e é até difícil de rever. Erros de composição, edição amadora, péssima iluminação e algumas sequências desastradas, fazem desta película mais uma experiência do que uma longa metragem. Mas como o ritmo imposto é frenético e as problemáticas sucedem-se sem parar, é até fascinante perceber que o mesmo homem que fez da vida real um processo complicado, inicia desta forma descomplexada uma carreira fantástica que conheceu momentos de puro génio.

Contudo, este não é um deles.


João Gata
Revista Metropolis

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