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Crítica «Os Dias da Rádio»

Poucos haverá tão encantadores, nostálgicos e memoráveis como este hino aos anos de ouro da rádio.

Só numa carreira tão brilhante e prolífica como a de Woody Allen é que é possível que um filme como «Os Dias da Rádio» não surja imediatamente na ponta da língua quando se enumeram os melhores do seu currículo. Há outros mais divertidos, profundos, reflexivos, neuróticos e cinematograficamente inventivos, mas a verdade é que, apesar da sua discrição, poucos haverá tão encantadores, nostálgicos e memoráveis como este hino aos anos de ouro da rádio.

Estreado em 1987, o filme é uma memória pessoal e colorida das vivências de uma família na viragem para os anos 40, todas elas pontuadas pela rádio, o médium em redor do qual o lar então se juntava. O protagonista é o jovem Joe, que narra o filme em adulto pela voz do próprio Allen. E é todo o retrato de uma época, adoçada pelo filtro da memória, que regressa à vida em pequenas vinhetas, em que se juntam glórias e tragédias, sonhos e frustrações, e os pequenos nadas de que é feita a vida. Tudo embalado pela gloriosa banda sonora da época, do trompete de Glenn Miller à voz de Frank Sinatra.


Luís Salvado
Revista Metropolis

Artigo do parceiro

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