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Críticas «Balas Sobre a Broadway»

Em 1994 Woody Allen assinou uma das mais singulares meditações sobre a relação entre o autor e a sua obra em tom de comédia de contornos amargos. A intriga centra-se em redor de um dramaturgo tão pretencioso quanto ignorado que consegue montar um

Em 1994, Woody Allen assinou uma das mais singulares meditações sobre a relação entre o autor e a sua obra em tom de comédia de contornos amargos.

A intriga centra-se em redor de um dramaturgo tão pretensioso quanto ignorado que consegue montar uma das suas obras de «reflexão social» graças ao financiamento generoso de um «gangster», que no entanto insiste que ele dê um papel de relevo à sua namorada.

Tendo por cenário o mundo do teatro de Nova Iorque durante a década da lei seca, o filme equaciona de modo por vezes hilariante o dilema do artista que em nome da sua «arte» se deixa seduzir e corromper quer pela fama como pelo dinheiro.

Não será dos filmes mais óbvios nas listas dos Woody Allens favoritos, mas «Balas sobre a Broadway» é, sem dúvida, um dos mais argutos e inteligentes filmes do autor – e eles são muitos, dando-nos uma comédia arrebatadora onde transparece o seu recorrente desencantamento com a natureza humana. Um filme delicioso onde se destacam ainda os desempenhos de um elenco de primeira linha com realce para Dianne Wiest, que ganharia o seu segundo Óscar de atriz secundária.


Rui Brazuna
Revista Metropolis

Artigo do parceiro

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