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Curtas de Vila do Conde é um festival de «resistência» financeira

João Pedro Rodrigues, Gonçalo Tocha e Basil da Cunha são alguns dos nomes que vão passar pela 21ª edição do Curtas de Vila do Conde, que arranca já a 6 de julho.

A 21ª edição do Festival Curtas de Vila do Conde, orçado em cerca de 200 mil euros, é apoiado em 50% pela secretaria de Estado da Cultura e, apesar das restrições orçamentais, «tem conseguido manter uma programação consistente e coerente ao longo dos anos», explicou Miguel Dias, durante a apresentação do evento que decorre de 6 a 14 de julho.

A 21ª edição apresenta assim 207 filmes, sendo que 85 são de ficção, 52 de animação, 23 documentários, num total de 82 sessões de cinema, especificou ainda Miguel Dias, acrescentando que 55 destas películas são produção nacional.

No âmbito das competições, o festival vai contar com 17 curtas na competição nacional, 34 internacionais, em representação de 21 países, e 25 experimentais, explicou ainda a organização.

Este ano, e pelas produções nacionais, apoiadas pelo programa cultural O Estaleiro, que é desenvolvido pelo festival, estreiam os filmes «Mahjong», realizado por João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, sobre a «Chinatown» de Vila do Conde.

Também «A Mãe e o Mar», de Gonçalo Tocha, um filme rodado na comunidade piscatória de Vila Chã, «De Onde os Pássaros Veem a Cidade», de André Tentúgal, e ainda um filme rodado no Brasil, realizado por Felipe Bragança e Helvécio Marins Jr., vão passar pela tela deste festival.

Da programação resulta ainda a exposição «Film» e uma retrospetiva «In Focus» do realizador americano Bill Morrison, que visam «recuperar a memória e o património histórico do cinema através da película», explicou Miguel Dias.

Em relação às sessões de cinema deste festival, a organização pretendeu destacar «as mais recentes tendências do cinema«, sublinhou Dario Oliveira, acrescentando que vai ser possível acompanhar a obra de cineastas como « Sergei Loznitsa e Yann Gonzalez, Basil da Cunha e Antonin Peretjatko», todos eles com estreias no festival de Cannes.

Nesta 21ª edição do Curtas mantêm-se as secções Curtinhas, onde crianças e jovens terão oficinas e espaços dedicados à aprendizagem cinematográfica, e ainda o Take One!, onde, para além de uma competição de filmes de escolas inclui masterclasses e mais uma edição de videoRun, sendo que ambos se dedicam à «formação de públicos», disse ainda Miguel Dias.

O Curtas apresenta ainda as antestreias dos filmes «Paixão», de Brian de Palma, e «História de um Erro», da cientista portuguesa Joana Barros, que aborda a paramiloidose, uma doença que regista o maior número de doentes nas Caxinas, em Vila do Conde.

Em entrevista à Lusa, Joana Barros explicou que esta película é um «documentário que explana a altura em que a doença foi detetada pela primeira vez, apesar de não ser conhecida a sua origem», passando ainda por depoimentos de doentes e de como, nos dias de hoje, é «encarada cientificamente» esta patologia.

«Gostava que este documentário fosse visto por todas as pessoas, sobretudo aquelas que sofrem com a também conhecida como a doença dos pezinhos», concluiu Joana Barros.

Além destas antestreias, a organização do festival realça os encontros com realizadores, através dos quais o público pode questionar e interagir com quem produz os filmes, sendo que este é um dos espaços «de grande interesse» deste evento.

Em 2012, passaram pelo Festival Internacional de Curtas Metragens cerca de «25 mil espetadores» e, este ano, a organização espera superar estes números, tanto mais que este evento é feito «através da imaginação criativa de uma equipa» que trabalha para que Vila do Conde se transforme, mais uma vez, na capital do cinema.

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