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De «A Noviça Rebelde» a «O Poderoso Chefão»: os incríveis títulos dos filmes no Brasil

Todos os países têm exemplos intrigantes de traduções dos títulos de filmes estrangeiros, mas nada bate a criatividade dos brasileiros para chamar os espectadores às salas de cinema.

Idealmente, um bom título local de um filme estrangeiro será aquele que transmitir a ideia do título de origem e, se possível, tiver alguma semelhança.

E o que se deve evitar? Títulos redundantes, muitas vezes incluindo o original e a tradução separados por travessão, títulos de tal forma diferentes do original que quase ninguém lá chega a não ser pelo cartaz, títulos que distorcem e parecem ser de um filme completamente diferente, e ainda os que... revelam o que não devem sobre a história (sim, estamos a pensar no «Vertigo», que por cá se chamou «A Mulher Que Viveu Duas Vezes»).

Em todos os países existem exemplos de traduções mais e menos felizes.

E depois temos o Brasil.

Ruy Castro, colunista do «Folha de S. Paulo», escreveu mesmo que «se você der a um tradutor brasileiro a chance de fazer asneira, ele a fará».

Na verdade, os títulos são decididos pelas equipas de marketing das distribuidoras com base em títulos pré escolhidos e os seus membros defendem que estes servem para atrair espectadores e não satisfazer a intenção de quem deu o título original do filme.

Por vezes, o descaramento da versão brasileira é evidente: «Teen Wolf», o filme com Michael J. Fox, ficou «O Garoto do Futuro», apenas para associar a «Regresso ao Futuro», lançado pela mesma época.

Outras vezes, a tradução é intrigante: «Taxi Driver» começou por ser «Taxi Driver - Motorista de Táxi» (abandonaram a redundância posteriormente) e «Memento» ficou «Amnésia» apesar do protagonista dizer várias vezes ao longo do filme que não é esse o seu problema.

E o que dizer da obsessão por chamar a tantos filmes «Deu a Louca»?

Ou o caso de «My Girl»? No Brasil, ficou «Meu Primeiro Amor», o que deu asneira quando chegou a sequela: «Meu Primeiro Amor: Parte 2» (diga-se que em Portugal o resultado foi igualmente confrangedor: «O Meu Primeiro Beijo 1 e 2»).

Durante muitos anos, as pessoas do meio defenderam a criatividade por detrás de alguns títulos brasileiros com a necessidade de comunicar com uma população maioritariamente pouco instruída e o momento político, diferenças culturais e ideológicas.

Sejam quais forem as razões, muitos concordam que a liberdade da versão brasileira do título original, principalmente nas comédias, resultou em incríveis momentos de comunicação, mesmo quando se respeita o espírito do original.

E não abrandaram nos últimos anos...

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