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Diana: Cinema e televisão ainda não souberam encontrar a "Princesa do Povo"

As tentativas para explorar a história da princesa Diana no cinema e na televisão correram mal. Coincidência ou não, a única exceção é "A Rainha", por onde ela passa como um "fantasma".

A morte da princesa Diana a 31 de agosto de 1997 num acidente num túnel rodoviário em Paris criou um sentimento de perda que, sem exagero, passou pelo mundo todo.

A inexistência de redes sociais não impediu que se seguisse uma extraordinária semana de luto coletivo onde, com a ajuda do primeiro-ministro Tony Blair (e dos seus conselheiros), ela passou de Princesa de Gales a "Princesa do Povo".

O funeral, acompanhado por dois mil e quinhentos milhões de espectadores em todo o mundo, representou a sua "canonização".

Nos 20 anos seguintes, revistas sociais e alguma "literatura" exploraram o filão desta jovem que se tornou princesa aos 19 anos e não foi feliz para sempre, que viu todos os seus passos e dramas acompanhados de forma voraz pelo público e finalmente soube transfigurar-se e assumir um novo papel humanitário antes de morrer prematuramente, mas não sem deixar as sementes que forçaram uma instituição milenar a mudar.

Pelo contrário, as tentativas para explorar a história da princesa Diana no cinema e na televisão correram muito mal.

A única exceção é "A Rainha" (2006), onde ela, coincidência ou não, surge apenas como o "fantasma" que passa por aquela semana em que Isabel II permaneceu distante e demorou a perceber o sentimento popular do seu povo e como a sensação de perda nacional se estava a virar contra a monarquia.

Helen Mirren, numa interpretação superlativa, teve direito ao Óscar e a ninguém ocorreu dizer que o filme era uma tentativa sensacionalista de explorar a história da princesa Diana.

O mesmo não aconteceu com o simplesmente intitulado "Diana" (2013), mas o filme só se pode queixar de si mesmo, com Naomi Watts a tentar dar dignidade a uma abordagem superficial dos últimos dois anos e do ativismo e principalmente das tentativas para ser feliz da princesa, primeiro com Hasnat Khan, um cirurgião paquistanês (Naveen Andrews), e a seguir com Dodi Al Fayed (Cas Anvar).

Sem surpresa, o trabalho do realizador Oliver Hirschbiegel foi mal recebido em todo o lado e ainda pior, claro, na Grã-Bretanha.

Para Naomi Watts ficou reservada uma nomeação Razzie para pior atriz, mas felizmente a carreira sobreviveu à "audácia".

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