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Do pântano para Hollywood: Os Marretas no cinema

«Marretas Procuram-se» é a sétima aventura do Sapo Cocas no cinema, após três filmes muito elogiados, outros três menos bem recebidos e um regresso fulgurante em 2011. Recordamos a seguir a carreira dos Marretas no grande ecrã.

Entre 1976 e 1981, «The Muppet Show», entre nós conhecido como «Os Marretas», tornou-se a série de televisão de maior sucesso do planeta. Com humor verdadeiramente tresloucado, o programa marcou a sua época ao cruzar marionetas com estrelas de cinema, da música e da televisão num espetáculo para adultos que as crianças também podiam ver.

Jim Henson, o criador da série, já tinha sucesso com as suas marionetas há mais de uma década, principalmente através da série «Sesame Street» (cuja encarnação portuguesa, «Rua Sésamo», viveria entre 1989 e 1994) mas o êxito de «Os Marretas» abriu-lhe as portas do entretenimento em horário nobre para adultos, que ele aproveitou para dar o salto para a longa-metragem para cinema.



O primeiro filme chegou logo em 1979, ainda a série estava no ar, e chamou-se «As Aventuras dos Marretas». A película, cheia de «cameos» de celebridades, conta a origem dos Marretas, desde que Cocas, no seu pântano natal, sonha criar um espetáculo, passando pelo encontro estrada fora com todas as principais personagens, e a culminar com a chegada a Hollywood e o sucesso tão ansiado. Realizada por James Frawley, a película foi um enorme sucesso, deixou o público de boca aberta com uma sequência em que Cocas anda de bicicleta e legou para a história a canção-emblema dos Marretas, «Rainbow Connection».



Em 1981, pouco depois do fim da quinta e última temporada de «Os Marretas», estreou «The Great Muppet Caper», desta feita em registo de variação humorística dos filmes de aventuras e espionagem, com Cocas, Fozzie e Gonzo como jornalistas que viajam para Inglaterra para investigar um caso de roubo de jóias. Com menos sucesso que a anterior, a fita foi realizada pelo próprio Jim Henson, que assim se estreou a dirigir longas-metragens para cinema.



Em 1984, foi a vez de Frank Oz (a segunda figura mais importante da equipa, manipulador de personagens como Miss Piggy e Fozzie) a tentar a sorte atrás das câmaras, naquela que foi a primeira realização a solo do cineasta, que viria a ter sucesso com fitas da primeira linha de Hollywood, como «Mulheres Perfeitas» ou «The Score - Sem Saída». «Os Marretas Conquistam Nova Iorque», que teve quase tanto sucesso como o primeiro filme, apresenta os Marretas a tentarem montar um espetáculo de sucesso na Broadway, e culmina com uma encenação (ou talvez não) da cerimónia de casamento entre e Cocas e Miss Pigy. É numa cena deste filme que surgem pela primeira vez os Marretas Bebés, que darão origem à popular série televisiva em desenho animado.



A morte de Jim Henson em 1990 levou à queda abrupta de qualidade e impacto da maioria das produções que levavam o seu selo de qualidade. «O Conta de Natal dos Marretas», estreado em 1992, é o primeiro filme estreado após o falecimento do criador das personagens e, apesar de ter tido um sucesso razoável, ficou aquém das expectativas. Adaptação do «Conto de Natal» de Charles Dickens, com Michael Caine como Ebenezer Scrooge e os Marretas a ocuparem o resto dos papéis, a fita seria, ainda assim, a mais bem acolhida dos Marretas após a morte de Henson e antes do filme que agora estreia, de James Bobin. Foi também a última ter estreia em cinema em Portugal até «Os Marretas», em 2011. O realizador foi Brian Henson, filho de Jim Henson.



Após Dickens, Robert Louis Stevenson: a aventura cinematográfica de 1996 dos Marretas adaptou ao grande ecrã «A Ilha do Tesouro», com Tim Curry como Long John Silver, acompanhado por Billy Connolly, Jennifer Saunders e Kevin Bishop no elenco de atores humanos, secundados pelas célebres marionetas. «Os Marretas e a Ilha do Tesouro» não foi muito mal sucedido nas bilheteiras mas em Portugal, o filme, novamente dirigido por Brian Henson, foi diretamente para «home-video».



Tim Hill, que realizaria mais tarde filmes da série «Garfield» e «Alvin e os Esquilos», aventurou-se no universo dos Marretas em 1999 com «Marretas no Espaço», em que Gonzo fica a saber que não é uma criatura estranha mas sim um ser extraterrestre. Com uma receção muito tépida de crítica e bilheteira, seria o último filme para cinema até «Os Marretas» resgatar as personagens ao esquecimento.



O sucesso não aumentou imediatamente após a aquisição em 2004 dos Marretas pela Disney, que tardou a encontrar o tom certo para trabalhar as personagens. Foi com a entrada em cena do humorista Jason Segel, grande fã das personagens, que o projeto de devolver os Marretas ao grande ecrã finalmente tomou forma, com um sucesso de crítica e bilheteira que eclipsou o de todos os filmes anteriores. Segel escreveu o argumento a meias com Nicholas Stoller e, sob a direção de James Bobin, protagonizou «Os Marretas», uma homenagem sentida à série criada por Jim Henson.

No filme, o ator e o seu irmão Walter partem para Hollywood para conhecer os seus ídolos, os Marretas, descobrindo que eles foram esquecidos por todos e vivem completamente afastados uns dos outros. Para evitar que o teatro que foi palco do Muppet Show seja demolido, é preciso reunir novamente toda a equipa e montar um espetáculo que volta a cativar o público. O resultado foi espetacular, em termos de sucesso de público e crítica, com direito ao Óscar de Melhor Canção Original para «Man or Muppet».



Após o regresso triunfal às luzes da ribalta no filme «Os Marretas», Cocas, Piggy e companhia partem numa tournée em redor do mundo, por cidades como Berlim, Londres e Madrid. Claro que as confusões nunca estão muito longe, e surgem quando todos se envolvem numa intriga internacional ao cruzar-se com Constantine, o Criminoso Número Um do Mundo e que é exactamente igual ao Sapo Cocas, e o seu assistente Dominic, também conhecido por Número Dois, que é interpretado por Ricky Gervais.

«Marretas Procuram-se» perde os protagonistas humanos do original, Jason Segel e Amy Adams, mas ganha Ricky Gervais, Tina Fey e Ty Burrell. O realizador volta a ser James Bobin, que escreve o filme em parceria com Nicholas Stoller.

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