Artigo

DocLisboa: Filme do dia: «Manuscripts don't Burn»

O encerramento oficial do DocLisboa faz-se com o mais recente filme de Mohammad Rasoulof, que, apesar de ser também o presidente do júri, viu-se impedido de se deslocar a Portugal por ter visto o seu passaporte confiscado pelo Irão.

Kasra é um autor iraniano que consegue escrever as suas memórias em segredo, apesar de estar sob vigilância apertada dos serviços de segurança. Preparou tudo para as publicar e prepara-se para sair do país mas os serviços secretos descobrem os seus planos e farão tudo para destruir os manuscritos.

Este filme é um lúcido e corajoso gesto de denúncia da repressão no Irão, feito por um dos mais importantes cineastas dissidentes. Mohammad Rasoulof viu o seu passaporte confiscado, a 19 de Setembro de 2013, em Teerão. Desde o dia 19 de setembro que Mohammad Rasoulof se encontra impedido de sair do Irão, tendo o seu passaporte sido confiscado pelas autoridades, «até nova ordem». Por esta razão, foi impedido de estar presente em diversas apresentações do seu filme.

Por essa razão, Rasoulof, que era também Presidente do Júri da competição internacional, não pode estar presente em Portugal. Por estar a ser privado de exercer os seus direitos e a sua liberdade enquanto pessoa e enquanto cineasta, o DocLisboa declarou-se solidário com o realizador, repudiando todo e qualquer regime que se fortaleça à custa do silenciamento da cultura, da crítica e da liberdade de expressão artística e intelectual.

O festival encerra com «Manuscripts don't Burn» por considerar que, ao invés de ver neste filme um panfleto de denúncia da opressão no Irão, vê antes um retrato humano e sensível duma sociedade estruturada no medo e no secretismo, sublinhando que programará sempre que possível, filmes que são gestos éticos e estéticos corajosos e pertinentes, que nos dão esperança na resistência através do cinema e da arte contra a censura e a violência.

«Manuscripts don't Burn» é exibido hoje, 2 de novembro, às 21h00, no cinema São Jorge.

Comentários