Artigo

Documentário italiano «Sacro Gra» conquista o Leão de Ouro em Veneza

O Júri da 70ª edição do Festival de Cinema de Veneza atribuiu, no sábado, o Leão de Ouro ao documentário "Sacro Gra", do italiano Gianfranco Rosi, sobre figuras da periferia de Roma.

O documentário, aplaudido pela crítica e pelo público, é uma ode a personagens invisíveis que vivem num lugar sem identidade mas que conservam as suas raízes: um ator de fotonovelas, um pescador, um enfermeiro, um príncipe com um castelo decadente, um nobre culto e uma estudante brilhante.

Rosi entrevistou e conviveu com todas essas figuras que vivem na periferia da capital italiana, uma localidade conhecida como Grande Raccordo Anulare (GRA), antes de filmar as suas histórias.

"Dedico a minha vitória às pessoas do meu filme que me deixaram entrar nas suas vidas. Algumas são protagonistas involuntárias", declarou Rosi.

O realizador agradeceu ao "mestre" Bernardo Bertolucci, presidente do Júri, pela coragem de premiar um documentário pela primeira vez em Veneza.
Esta também foi a primeira vitória de um filme italiano desde 1998, quando o laureado foi "Cosi ridevano", de Gianni Amelio.

"Todo o júri sentiu a força poética do filme. Só um festival como Veneza para dar espaço aos documentários, que sempre ficaram meio de lado", declarou Bertolucci.
"A maneira como Rosi entra nesses mundos e nesses espaços tem algo de franciscano. Um toque de pureza, lembra-me de São Francisco", afirmou Bertolucci.

Sobre "The Unknown Known", outro documentário, realizado por Errol Morris, sobre o ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos Donald Rumsfeld, o cineasta de "O Último Imperador" brincou ao dizer que "alguém do júri, com um grande sentido de humor, queria dar o prémio de melhor ator a Rumsfeld".

O Grande Prémio do Júri foi para o chinês Tsai Ming-Liang por "Jiaoyou", a história de um pai sem abrigo e os seus dois filhos, obrigados a vaguear pelas ruas de Taipé.

"Miss Violence", do grego Alexandros Avranas, levou o Leão de Prata de melhor realização pela história de uma família modesta e, aparentemente, sem dramas, mas que enfrenta o suicídio de uma filha de 11 anos. O filme também ganhou o prémio de melhor ator para Themis Panou, que encarna um pai abusivo.

O prémio de melhor atriz foi para a italiana Elena Cotta, pelo filme "Via Castellana Bandiera", primeira longa metragem da realizadora siciliana Emma Dante.

O festival também concedeu ao filme do alemão Philip Gröning, "A mulher do Polícia", o Prémio Especial do Júri. O prémio de melhor argumento ficou com Steve Coogan e Jeff Pope para o filme do realizador britânico Stephen Frears, "Philomena", que estava no topo da lista de favoritos para o Leão de Ouro.
"Philomena", que havia conquistado o público e os críticos, inspirou-se na história real de uma mãe solteira irlandesa (Judi Dench) que procura o filho que lhe foi tirado ao nascer.

A crítica também destacou "Tom à la ferme", thriller psicológico do jovem canadiano Xavier Dolan, sobre a relação de um publicitário com a família do seu namorado falecido.

O prémio de revelação foi para Tye Sheridan pelo seu papel de filho de um alcóolatra em "Joe". Sheridan é um jovem de 16 anos que já tinha participado em "A Árvore da Vida", de Terrence Malick.

Comentários