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Documentário sobre baterista Gualdino Barros estreia hoje na Cinemateca

A história do baterista Gualdino Barros, entre a vida mundana e a lenda, é contada num documentário - «A Sétima Vida de Gualdino» -, de Filipe Araújo, que se estreia hoje na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa.

O filme não é um convencional documentário biográfico sobre um músico, muito conhecido nos meandros do jazz nacional, mas anónimo para grande parte dos portugueses, como explicou à agência Lusa o realizador. «Pego no dia-a-dia dele a seguir ao AVC. O filme revive o passado dele, mas está mais preocupado com o tempo presente, com o renascimento de um homem que marcou o jazz português, apesar de estar na sombra», disse.

Gualdino Barros, 75 anos, baterista autodidata, deu a conhecer muitos talentos do jazz português, teve uma vida cheia em Portugal e em Paris, trabalhou em hotéis, deu aulas, jogou futebol, foi operário, tocou com Nina Simone e Bud Powell. Até que, em 2011, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), do qual recuperou muito lentamente e com a ajuda da bateria.

Filipe Araújo, jornalista de formação, conheceu Gualdino Barros através da irmã, pianista, e decidiu contar a história do baterista numa reportagem na revista Grande Reportagem, ainda antes do episódio do AVC.

«Nunca pensei voltar a pegar na história dele, porque não havia grandes «ganchos» do presente, não havia muitos registos da vida dele», conta o realizador, que acabou por mudar de ideias e avançar com uma longa-metragem, a segunda da sua carreira no cinema.

«A Sétima Vida de Gualdino», o filme, «foi gravado de forma intimista e humaniza a personagem», diz o realizador. «Há quase uma dança entre a pessoa e a personagem que foi sendo construída ao longo dos anos e que se tornou uma lenda pelas histórias e por ter convivido com outras lendas», explicou Filipe Araújo.

O filme foi rodado um ano depois de Gualdino Barros ter sofrido o AVC e ainda regista o processo de recuperação e o regresso ao ativo.

A evocação dos «anos loucos do passado» é feita com a ajuda da animação do cartoonista André Carrilho e, no filme, participam alguns dos músicos que conviveram e devem a Gualdino Barros alguma da visibilidade que têm hoje, nomeadamente o pianista Filipe Melo, o guitarrista Bruno Santos e o contrabaixista Bernardo Moreira.

Depois da antestreia na Cinemateca, que contará com a presença de Gualdino Barros, «porque ainda não viu o filme», o documentário será exibido na sexta-feira no Festival Internacional de Cinema de Salónica, na Grécia.

No dia 30, tem estreia televisiva na RTP2, canal para o qual o filme foi produzido. Não está, para já, prevista a estreia comercial do documentário.

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