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Festa do Cinema: Muitos filmes baratos, mas só cinco portugueses

A terceira edição da Festa do Cinema, marcada para a próxima semana, com bilhetes a preço reduzido em mais de 500 salas, abrangerá cerca de 60 filmes, entre os quais apenas cinco portugueses.

A Festa do Cinema, que acontecerá de 22 a 24 de maio, foi apresentada no cine-teatro Capitólio, em Lisboa, com a organização a sublinhar que estão previstas mais de 10 mil sessões de cinema com bilhetes a 2,5 euros na rede comercial de exibição, cineclubes e cineteatros de todo o país.

O objetivo é "promover o ato cultural que é ir ao cinema", com filmes diversificados, para todo o tipo de públicos e "com um grande ênfase na produção nacional", disse Nuno Sousa, da exibidora UCI Cinemas e da Associação Portuguesa de Empresas Cinematográficas, que organiza a Festa do Cinema, na conferência de imprensa.

Sobre a escolha de filmes portugueses, Nuno Sousa referiu à agência Lusa que a Festa do Cinema contará com "Perdidos" e "Uma vida à espera", ambos de Sérgio Graciano, "Fátima", de João Canijo, "Jacinta", de Jorge Paixão da Costa, e o filme que for premiado no domingo na cerimónia dos prémios Globos de Ouro, atribuídos pela SIC e pela revista Caras.

"É um caminho que se faz caminhando. Naturalmente que gostaríamos que muitos outros filmes tivessem já com a sua produção terminada para podermos estrear no contexto da Festa. Durante o ano vamos estrear mais. (...). São questões comerciais ou de formato que fazem com que possam ou não possam estar em exibição", justificou Nuno Sousa à Lusa.

Entre os 60 filmes que serão exibidos estão, por exemplo, "Os guardiões da galáxia 2", de James Gunn, "Alien: Covenant", de Ridley Scott, "Música a música", de Terrence Malick, a animação "A minha vida de Courgette", de Claude Barras, e o documentário "Não sou o teu negro", de Raoul Peck.

Nestes três dias, a organização espera ter cerca de 200 mil espectadores. No total das duas edições anteriores, a iniciativa registou cerca de 400 mil espectadores.

Nuno Sousa recordou que "esta é a festa com a maior diversidade de produto de todas" - sendo que o produto é o cinema -, tornando-o mais acessível aos portugueses, pelo menos naqueles três dias: "É estratégico e fundamental que essa democratização seja também com base numa cobertura territorial total. Não é aceitável que qualquer capital de distrito não participe. E queremos que isso seja impulsionado".

A conferência de imprensa de hoje contou ainda com um debate sobre hábitos de consumo de cinema em Portugal, com a presença de, entre outros, o realizador e produtor Leonel Vieira, a presidente do Instituto do Cinema e Audiovisual, Filomena Serras Pereira, e o administrador da produtora Plural, Luis Cunha Velho.

Filomena Serras Pereira enfatizou o programa de apoio financeiro à formação de públicos, enquanto Luís Cunha Velho recordou que é preciso "criar uma indústria" de produção de cinema e perceber como cativar os espectadores mais novos.

Leonel Vieira foi o mais contundente ao dizer que o cinema português "anda à procura de se reestruturar", sofre de um "problema de maturidade, de uma cinematografica com problemas endémicos".

"Não está democratizado, porque ainda não se fazem filmes de terror, thrillers, policiais, filmes infantis, animação. O cinema português é uma monocasta", disse.

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