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Festival Judaica abre com filme de Rachel Weisz contra negação do Holocausto

A quinta edição da Judaica - Mostra de Cinema e Cultura vai abrir com o filme "Negação", protagonizado por Rachel Weisz.

créditos: SAPO Mag

O filme "Negação" abre, a 28 de março, no Cinema S. Jorge, em Lisboa, a quinta edição da Judaica - Mostra de Cinema e Cultura, que também vai decorrer em Cascais, Belmonte e Castelo de Vide, foi hoje anunciado.

A quinta edição da Judaica começa com o filme baseado no livro “History on Trial: My Day in Court With a Holocaust Denier” ("História de um processo: A minha jornada em tribunal com um ‘negacionista’ do Holocausto", em tradução livre), sobre a luta da historiadora Deborah Lipstadt, pela verdade dos factos, contra o revisionismo do escritor David Irving.

A historiadora norte-americana, após a publicação da sua obra "Denying the Holocaust The Growing Assault on Truth and Memory" ("Negação do Holocausto: A Crescente Agressão Contra a Verdade e a Memória"), no início dos anos de 1990, foi processada por difamação pelo escritor britânico David Irving, que minimizou o caráter violento da Alemanha nazi, negou a morte de judeus em Auschwitz e a existência de campos de extermínio.

No ano 2000, a justiça britânica reconheceu David Irving como “negador ativo do Holocausto” e condenou-o ao pagamento de uma indemnização de dois milhões de libras (cerca de 2,34 milhões de euros, a preços atuais) a Deborah Lipstadt e à sua editora, a Penguin House.

"Negação" ("Denial"), o filme protagonizado por Rachel Weisz, com realização de Mick Jackson e argumento de David Hare, reconstrói o processo.

Um dia depois do início do festival, 29 de março, Esther Mucznik, da Comunidade Israelita de Lisboa, o historiador Pedro Aires Oliveira, da Universidade Nova de Lisboa, e o juiz Renato Barroso participam no debate "Negacionismo, Pós-verdade: Defender o Indefensável?", a propósito do filme.

Em Cascais, a Judaica abrirá a 6 de abril com a antestreia de "O Jovem Karl Marx", do realizador Raoul Peck - que estava nomeado para o Óscar de Melhor Documentário com "I am not your negro" -, e que teve honras no festival de Berlim, com a seleção para a Berlinale Special.

O filme retoma a figura de Karl Marx e do modo como, com Friedrich Engels, que conhecera em 1844, a reflexão de ambos irá sustentar a emergência do movimento operário, dando forma e contextualizando uma das maiores transformações do mundo desde o Renascimento, como destaca a organização do certame.

"Indignação", de James Schamus, ex-colaborador do realizador Ang Lee ("O Segredo de Brokeback Mountain"), sobre o romance do norte-americano Philip Roth, é outro dos filmes selecionados para a Judaica. Em Lisboa, "Indignação" será apresentado por Richard Zimler.

Ao longo dos restantes dias da Mostra serão ainda exibidos "Operação Antropóide", de Sean Ellis, sobre a morte do dirigente nazi Reinhard Heydrich, "O Rei do Once", do argentino Daniel Burman, que remete para relações familiares no bairro judaico de Buenos Aires, e "Lou-Andreas Salomé - A Vida de uma Filósofa", sobre a autora de origem russa, que privou com Nietzsche, Freud e Rainer Maria Rilke.

De acordo com a organização da mostra, nenhum destes filmes tem estreia comercial prevista em Portugal.

O programa conta ainda com um filme sobre "Jerry Lewis - O Homem por detrás do Cómico", apresentado por João Lopes, e "O Último a Rir", com nomes da comédia norte-americana, que será apresentado pelo escritor Francisco José Viegas.

O certame fecha com "A Guerra dos 90 Minutos", "falso-documentário israelita em que o estádio de Leiria é o palco onde o conflito entre Israel e a Palestina se irá resolver, num jogo de futebol entre as duas seleções, e com [o ator português] Pêpê Rapazote a fazer de árbitro". A sessão conta com o realizador, Eyal Halfon, e o produtor Assaf Amir.

Da programação paralela, a organização destaca uma sessão com João Schwarz, neto do escritor, engenheiro, historiador e arqueólogo de origem polaca Samuel Schwarz, que se fixou em Portugal no início da Grande Guerra de 1914-18. A sessão, dedicada à obra do investigador, realizar-se-á em Belmonte, onde a mostra tem início a 05 de maio.

Em Cascais realizar-se-á um concerto do Moscow Piano Quartet, com um programa dedicado a compositores judeus, e a Feira do Livro da Leya.

Em Lisboa, a mostra decorre de 28 de março a 02 de abril, no Cinema S. Jorge; em Cascais, de 06 a 09 de abril.

Em Belmonte e Castelo de Vide, a Judaica prolonga-se durante um mês, com sessões de cinema aos sábados à noite: em Belmonte, de 05 de maio a 03 de junho; em Castelo de Vide, de 12 de maio a 10 de junho.

A programação poderá ser consultada no seu sítio oficial.

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