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"Get Out": Fenómeno das bilheteiras americanas chega em maio a Portugal

Uma sátira de terror sobre um jovem negro que vai visitar os pais da sua namorada branca está a fascinar os americanos. Uma das grandes surpresas de 2017, há quem lhe chame a primeira grande resposta de Hollywood à era Trump. E já se fala em Óscares.

O grande acontecimento nas salas de cinema dos primeiros meses de 2017 não é "As Cinquenta Sombras Mais Negras", "Lego Batman: O Filme", "Logan", "Kong: Ilha da Caveira" ou qualquer nomeado para os Óscares, mas sim um pequeno filme que custou 4,5 milhões de dólares.

"Get Out" é um filme de terror, ou talvez seja mais apropriado chamar-lhe uma sátira de terror, que chegou ao primeiro lugar nas bilheteiras e, ao contrário do que acontece com tantos títulos do género, não caiu a pique no top logo a seguir: ao fim de três semanas de exibição, ainda está em terceiro lugar e já rendeu 118 milhões.

Entre as razões que estão a ser apontadas para ultrapassar as origens modestas e as fronteiras do género, entrando na cultura popular dos EUA, estão um grande trailer, excelentes críticas e as reações dos espectadores.

Acima de tudo, está o fascínio à volta da história de um jovem negro que vai visitar os pais da sua namorada branca, que esta garante que são bastante liberais ("Teriam votado em Obama pela terceira vez se pudessem"), que acaba por revelar um dos mais inesperados e traiçoeiros vilões do cinema de terror: o racismo velado que existe entre as elites brancas nos EUA.

O elenco junta o quase desconhecido ator britânico Daniel Kaluuya (para descontentamento de Samuel L. Jackson), Allison Williams (da série "Girls") e os veteranos Bradley Whitford ("Os Homens do Presidente") e Catherine Keener ("Queres Ser John Malkovich?", "Capote").

Do herói ao enredo, "Get Out" é elogiado pela forma como subverteu as regras do género mas também por ser um inesperado objeto de ativismo num momento em que os EUA atravessam uma grande inquietação social. E embora tenha sido rodado muito antes, já lhe chamam o primeiro grande filme sobre a sociedade que elegeu Donald Trump para a presidência.

O fenómeno de que já se fala para os Óscares do próximo ano marca a estreia na realização de Jordan Peele, mais conhecido pelos sketches, muitas vezes de humor negro, com Keegan-Michael Key criados para o Comedy Central, e que agora se tornou o primeiro cineasta negro a ganhar mais de 100 milhões com o seu filme de estreia.

A estreia em Portugal está marcada para 4 de maio.

Trailer.

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