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Histórias de bastidores do IndieLisboa

Nuno Sena e Miguel Valverde, os diretores do IndieLisboa, revelaram ao SAPO Cinema o momento mais os marcou em 10 anos à frente de um evento que já se tornou incontornável no panorama cultural português.

Entre 24 de setembro e 2 de outubro de 2004, a capital acolhia a primeira edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente e abria na cidade a era dos grandes eventos dedicados à Sétima Arte realizados de forma duradoura. Nessa época e nos anos seguintes, alguns certames que já existiam aumentaram de estatuto até se tornarem quase tão relevantes como o Indie (DocLisboa, Festa do Cinema Francês, Monstra, Queer Lisboa) e outros surgiram a seguir, com a mesma atenção à qualidade e à programação (MOTELx, Panorama).

Desde o início que Nuno Sena e Miguel Valverde são os diretores do IndieLisboa, em parceria com Rui Pereira, que nesta edição de 2013 saiu da direção do evento para se dedicar a tempo inteiro às atividades paralelas que a Zero em Comportamento, que realiza o evento, organiza um pouco por todo o país ao longo do ano.

Em 10 anos, não há falta de memórias fortes, mas os responsáveis pelo Indie escolheram duas muito particulares. Para Miguel Valverde, «há um momento particularmente tocante no IndieLisboa 2006 aquando da apresentação dos filmes do Jay Rosenblatt no âmbito da sua retrospetiva. Estávamos sentados no pequeno palco de uma sala do festival enquanto eu e o público fazíamos perguntas ao realizador. Como os filmes de Rosenblatt são muito pessoais e partem sempre das suas experiências familiares, acabou por partilhar comigo e com o público que o pai tinha acabado de falecer na semana anterior ao festival mas que a força que estava a receber do público era tão intensa que o ajudava a ultrapassar a dor. E por isso agradecia a todos e também ficava feliz pelo discernimento que teve em não cancelar a viagem e vir conhecer Lisboa».

Nuno Sena recua aos inícios do festival e recorda a sessão de encerramento da primeira edição do festival em 1 de Outubro de 2004. A grande sala do supostamente "moribundo" cinema São Jorge continuava apinhada mesmo depois de 10 dias consecutivos de festival sempre com um público numeroso e festivo. Com um calor sufocante e sem ar condicionado (o cinema iria para obras pouco depois), o IndieLisboa atribuía os seus primeiros prémios. Entre os nomes desse palmarés inaugural estavam Miguel Gomes e Eugène Green. O festival nascia sob estes bons auspícios.

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