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Hollywood está a tornar-se num negócio da China?

Políticos norte-americanos e o Washington Post estão preocupados com o perigo da influência de empresas chineses na indústria do entretenimento.

A crescente influência de empresas da China no mercado norte-americano está a causar preocupação.

John Culberson, senador do Texas eleito pelo Partido Republicano, que é ainda o presidente da comissão de comércio, justiça, ciências e agências relacionadas do Congresso, escreveu a John Carlin, procurador-adjunto, para lhe pedir que levasse a sério as movimentações na indústria de uma dessas empresas, o Grupo Wanda.

Este responsável político quer saber se está a ser usada com eficiência o 'Foreign Agents Registration Act' (FARA), que obriga os representantes de interesses estrangeiros a divulgar publicamente a natureza da relação com o seu governo, para combater 'os esforços de pressão e propaganda nos Estados Unidos, principalmente de países como a China e Rússia'.

A carta segue-se a uma recomendação de outros 16 membros dos dois partidos no Congresso junto de organismos governamentais para que sejam revistas as implicações de segurança nacional de investimentos estrangeiros.

As maiores preocupações relacionam-se com os setores de telecomunicações, comunicação social e agricultura. Vários políticos acreditam que existem esforços concertados da China para estar numa posição que lhe permita censurar temas e exercer um controlo de propaganda nos 'media' americanos.

No caso de Hollywood, a preocupação é a influência crescente do Grupo Wanda, proprietária das grandes cadeia de salas de cinema AMC e Carmike, e da Odeon & UCi em Inglaterra, controlando assim 15% das receitas de bilheteira globais.

Detém ainda a produtora Legendary Entertainment e avançou com um acordo para financiar filmes da Sony e terá outro em preparação que lhe dará o controlo da Dick Clark Productions, responsável por vários programas de entretenimento, nomeadamente a cerimónia dos Globos de Ouro.

Wang Jianlin, presidente do conselho de administração da Wanda e o homem mais rico da China, pertence ao Partido Comunista e tem fortes ligações ao governo do presidente Xi Jinping.

Um editorial no Washington Post de quinta-feira, intitulado 'Beijing’s next propaganda outlet: Hollywood?', defende que na prática isso faz com que o grupo seja privado 'apenas em sentido nominal'.

'A China já impõe as suas regras de censura aos estúdios de Hollywood, usando o acesso ao seu lucrativo, mas extremamente limitado mercado (onde o grupo Wanda também controla muitas salas) como influência', defende o texto.

'Se for completamente executada, esta estratégia de aquisições dará ao grupo Wanda, e por extensão aos seus patronos em Pequim, influência não só sobre a distribuição de filmes mas também o seu conteúdo'.

Um alto responsável de um estúdio de Hollywood colocou água na fervura.

"Os chineses e a Wanda querem fazer dinheiro. Vejam os filmes que agora estamos a fazer. É tudo sobre sagas, sequelas, parques temáticos... Se a Wanda fizer parte disso e tentar colocar chineses nos filmes e isso não encaixar, vão perceber que foi uma má decisão'.

O Washington Post discorda.

'Não só a China procura impor as suas regras de censura nos filmes americanos, como também recusa aos investidores estrangeiros o mesmo acesso aos media e indústrias de entretenimento chineses que o grupo Wanda beneficia nos Estados Unidos. Não é rebuscado pensar que a China procurará expandir a propaganda pró-regime através da posse de empresas de entretenimento americanas'.

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