Artigo

Hollywood vai disponibilizar filmes fora dos cinemas mais cedo

As quedas de vendas no mercado de vídeo, as mudanças de gostos dos consumidores e a pressão para inovar estão a pressionar Hollywood para reduzir a exclusividade do tempo de exibição dos filmes nas salas de cinema.

Não é uma questão nova, mas Hollywood volta a pressionar para que os seus filmes cheguem mais cedo às pessoas fora das salas de cinema.

No passado, nenhum filme podia ficar disponível noutras plataformas nos primeiros seis meses após a estreia comercial, mas nos últimos anos essa 'janela' reduziu para 90 dias.

Mais recentemente, alguns títulos podem ser alugados online ao fim de 66 dias e o serviço DirectTV tem programa exclusivo em que produções independentes ficam disponíveis por um curto período, normalmente 30 dias, antes da estreia em sala.

Embora as receitas dos cinemas sejam estáveis e continuem a representar uma sólida parte das receitas, a descida nas vendas de DVD e Blu-ray em valores de dois dígitos nos últimos meses nos EUA e as claras mudanças de gostos dos consumidores estão a pressionar a indústria para reduzir o tempo de espera a um nível mais abrangente.

De acordo com a Bloomberg, vários estúdios estão ativamente à procura de soluções para oferecer às pessoas a possibilidade de alugar a a preço elevado novos filmes a partir de duas semanas após a chegada aos cinemas.

Os valores que estão a ser ponderados situam-se entre os 25 e 50 dólares por filme, entre 23,5 e 47 euros, o que corresponde ao preço de dois bilhetes em salas de Nova Iorque e Los Angeles.

Kevin Tsujihara, o responsável máximo da Warner Bros., confirmou na terça-feira a investidores que estão a decorrer 'conversações construtivas' com os proprietários das salas sobre uma oferta 'premium', mas salientou a determinação em avançar.

'Estamos a trabalhar com eles para tentar criar uma nova janela. Mas independentemente de isso acontecer ou não, de conseguirmos chegar a esse acordo com eles, temos de oferecer mais escolhas e mais cedo aos consumidores'.

A Comcast, proprietária da Universal Pictures, avançou na quinta-feira que também está a ter conversas com os operadores do mercado, que por regra têm mostrado resistência a qualquer tentativa para reduzir o seu tempo de exclusividade para os novos filmes. O ano passado, por exemplo, foi anunciado um boicote aos filmes que a Paramount ia lançar para aluguer sete semanas após a estreia comercial.

Em setembro, James Murdoch, CEO da Fox, questionou numa conferência com investidores 'os obstáculos malucos que os proprietários das salas de cinema colocam em termos destes períodos exclusivos que realmente criam muitos problemas para os filmes. As nossas regras de negócio não têm qualquer interesse para as famílias que apenas querem ver o filme'.

Comentários