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Homenagem a António de Macedo é «regresso às origens» do Fantasporto

O Fantasporto deste ano homenageia o realizador António de Macedo, o que para António Reis, um dos responsáveis do festival, significa um regresso às origens do evento, assente na ficção científica e no fantástico.

No pequeno auditório do Rivoli Teatro Municipal, no Porto, vai ser apresentado hoje «Os Abismos da Meia-Noite» (1984), seguindo-se, na segunda-feira, «Os Emissários de Khalom» (1988), «O Princípio da Sabedoria» (1975) na quarta-feira da próxima semana e «Chá Forte com Limão» (1993) no dia seguinte.

«Para nós, a questão que se nos coloca é que, de todos os realizadores portugueses de longas metragens, é o que tem uma estrutura de filmografia que se aproxima mais daquilo que era o tradicional Fantasporto», disse à Lusa António Reis.

Em 1970, António de Macedo, hoje com 82 anos, realizou «Nojo aos Cães», filme que veio a ser censurado pelo regime, mas «muito apreciado no estrangeiro», segundo o responsável do Fantasporto, tendo vindo a ser exibido em Bérgamo e em Benalmadena e distinguido com o prémio da Federação Internacional dos Cineclubes.

Em 1973, «A Promessa» torna-se no primeiro filme português a ser selecionado oficialmente para o Festival de Cannes.

António Reis relembra a polémica em torno de «As Horas de Maria», filmado parcialmente em Fátima e descrito pela Cinemateca Portuguesa, que dedicou um ciclo ao realizador no ano passado, como um «enorme escândalo» aquando da estreia em 1979, «um dos mais polémicos filmes da época, acusado de blasfémia pela Igreja Católica».

«Foi uma época muito agitada e divertida», reconhece António Reis, que salienta a importância de se estar a «redescobrir» António de Macedo.

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