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«Hotel Transylvania», um filme de monstros e de família

Drácula, Frankenstein e a Múmia estão entre os protagonistas de «Hotel Transylvania», um dos maiores sucessos da animação de 2012, que acaba de chegar às salas de cinema portuguesas. O SAPO falou com o seu realizador, Genndy Tartakovsky.

Drácula, proprietário do Hotel Transylvania, um resort de cinco estrelas para monstros, convida algumas das criaturas mais famosas do mundo para celebrar o 118º aniversário da sua filha Mavis. Inesperadamente, surge naquele espaço um jovem viajante, Jonathan, o que obriga o vampiro a fazer tudo por tudo para que a filha não se apaixone por ele.

«Hotel Transylvania» é novo filme animado da Sony Animations, responsável por sucessos como «Dia de Surf», «Arthur Christmas» e «Chovem Almôndegas». O realizador é Genndy Tartakovsky, um nome forte da animação televisiva, responsável por séries como «Dexter's Laboratory», «Samurai Jack» e «Star Wars: Clone Wars», que falou com o SAPO Cinema sobre um dos maiores êxitos do cinema de animação de 2012.

Apenas um filme de monstros?
«No fundo, o «Hotel Transylvania», além dos monstros, é um filme sobre um pai com medo de perder a filha, que tem de lidar com o crescimento dela e a possibilidade de a perder. E isso é algo que todos os pais sentem: sempre que o nosso filho sai de casa para ir para a escola, pensamos que pode acontecer uma tragédia, e tentamos controlar essa neurose para tentar sobreviver durante o dia. Se conseguirmos captar essa sensação através de uma personagem, isso é optimo, porque muita gente se consegue identificar com isso. Para mim é fundamental ter esses pontos de contacto entre as personagens e o espectador».

Personagens protegidas por «copyright»
«É um pouco estranha e confusa a questão dos direitos de autor. O Drácula, o Frankenstein, a Múmia e o Lobisomem foram todos celebrizados por filmes da Universal, mas já existiam antes. Nesse sentido, embora estejam no domínio público, a Universal tem o exclusivo da utilização dos elementos icónicos de cada um deles que surgiram nos seus filmes. Por exemplo, nós não podíamos usar a cor vermelha da capa do Drácula, a linha do cabelo do vampiro em forma de v, ou a cor verde e os electrodos do Frankenstein, e por isso tivemos de mudar esses elementos. A capa do Drácula passou a ser mais escarlate que vermelha, por exemplo, e por aí fora. Tivemos de contornar essas limitações, que não eram muito claras. Por exemplo, o sotaque romeno do Drácula podia-se usar sem problema... Os nomes estão no domínio publico, há detalhes que não».

A estreia na animação por computador
«Foi uma mudança difícil, passar do desenho animado puro e duro das séries «Samurai Jack» e «Star Wars: Clone Wars» para a longa-metragem de animação por computador. Aquilo que quis logo no início foi dar às figuras uma sensação de terem sido desenhadas à mão. Eu queria que o filme tivesse uma sensação muito orgânica, sem que as coisas fossem perfeitas, como se tudo fosse único. Às vezes fazíamos uma mão maior, outras mais pequena, e isso era muito importante, porque achei que daria ao filme uma grande energia e uma voz diferente».

Filmes que parecem todos iguais
O mau dos filmes de animação por computador é que parecem todos iguais. Como todos usam o mesmo sistema, tudo se torna muito semelhante. É cada vez mais difícil notar a diferença entre um filme da Blue Sky, um filme da DreamWorks e um filme da Pixar. No desenho animado, é muito mais fácil ser-se diferente, porque os desenhos são muito mais pessoais. Eu quis dar à animação por computador uma assinatura pessoal, foi esse o meu objectivo.

A liderança da Pixar
Há quem diga que a Pixar tem o monopólio da animação por computador, mas claro que isso não é correcto. Se julgarmos um filme pela quantidade de dinheiro que ele faz, então há muitos filmes a renderem tanto dinheiro como os da Pixar. Mas para mim, enquanto cineasta, um filme de sucesso é aquele que tem a assinatura do seu realizador, daí os da Pixar serem um exemplo daquilo que se deve fazer. Para mim era muito importante não perder a minha voz no «Hotel Transylvania». Porque nas longas-metragens há grandes orçamentos e é preciso lutar com as opiniões dos executivos e dos talentos que dão as vozes. É preciso batalhar muito para fazer ouvir a nossa voz.

A origem do filme
A primeira ideia foi a de um hotel para monstros. Tentámos criar algumas variações sobre esse tema mas as coisas só se solidificaram quando chegámos à ideia do Drácula como pai, de que ele tinha construído o hotel para proteger a filha, e por aí fora. E a partir daí, as ideias foram evoluindo até aquilo que o filme é hoje.

Monstros não sanguinários
Desde o início que não quisemos fazer um filme assustador. Hoje os miúdos já toleram mais o terror, os filmes do Harry Potter são muito mais assustadores que o que quer pudessemos fazer, até por serem em imagem real, e os miúdos adoram. Mas a nossa decisão consciente foi a de não fazer um filme assustador e sim um filme engraçado de monstros. Os nossos monstros são engraçados, fazem um ou outra coisa a assustadora, mas quase nada. O nosso filme é muito colorido, muito rico.

Veja aqui a entrevista do SAPO às vozes portuguesas do filme

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