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Humor alia-se à velhice em «E Se Vivêssemos Todos Juntos?»

Jane Fonda, Geraldine Chaplin, Guy Bedos, Claude Rich e Pierre Richard decidem enfrentar a velhice na mesma casa no divertido e comovente «E Se Vivêssemos Todos Juntos?». O SAPO Cinema falou com Richard e o realizador Stéphane Robelin.

Um grupo de cinco amigos de longa data decide lançar-se numa nova aventura, para prevenir os efeitos da velhice: partilhar a mesma casa. Com faltas de memória, problemas de saúde e a miragem do lar de idosos cada vez mais próxima, o grupo decide não se vergar às dificuldades e apostar no projeto de uma casa comum, embora a maior proximidade entre todos ameace levantar velhos conflitos e emergir segredos há muito escondidos.

«E Se Vivêssemos Todos Juntos?» tem um elenco verdadeiramente de luxo, com Jane Fonda, Geraldine Chaplin, Guy Bedos, Claude Rich e Pierre Richard como o quinteto de anciãos e Daniel Brühl como o jovem que os vai ajudar. Stéphane Robelin realizou e escreveu o filme, sobre o qual falou ao SAPO Cinema, lado a lado com Pierre Richard.

Uma história muito atual
Stéphane Robelin:
O tema de «E Se Vivêssemos Todos Juntos?» é muito dos nossos dias, e tem sido abordado muito pouco. Hoje em dia as populações estão mais envelhecidas mas as pessoas são muito ativas, há uma nova vida que parece ter-se aberto para as pessoas entre os 60 e os 85 anos que não existia antes. Antes, aos 60 anos ou na idade da reforma, já se era velho e fazia-se pouca coisa, hoje as pessoas nessa idade são muito ativas, fazem muitas coisas. Por isso, há muitas histórias nessa idade para contar, há muitas coisas surpreendentes para explorar, e que contradizem o cliché da velhice que tínhamos na cabeça.

A sexualidade tratada de forma natural
Stéphane Robelin:
Para mim, era muito importante abordar a sexualidade porque a ideia aqui era ter personagens principais idosas mas que falassem e vivessem tudo aquilo que é comum em qualquer idade, como sexualidade. Só o tema da morte é que era mais específico, porque naquela idade ela está efetivamente a aproximar-se. A ideia era falar desassombradamente desses temas, e mostrar que por mais que as pessoas possam parecer velhas no exterior, o cérebro que está lá dentro é exatamente o mesmo que o que tinham aos 30 anos.
Pierre Richard: A esse respeito, cada um faz como pode ou como quer. O Jacques Brel dizia que é preciso talento para não morrer adulto. Pessoalmente, eu acho que tenho esse talento. Mas claro que isso também comporta inconvenientes. De qualquer forma, todas as cinco personagens idosas do filme têm ainda ainda aquela capacidade de maravilhamento e de indignação, como a personagem do Guy Bedos que continua a ser um apoiante das causas sindicais. E todos continuam a ter pulsões sexuais, e comem e bebem com prazer. É um filme com um tema muito grave, mas que também o sabe tratar de forma ligeira.

Fugir do lado deprimente da velhice
Pierre Richard:
É verdade que, na minha idade, poderia ser deprimente interpretar uma personagem fustigada pelos dramas da velhice, mas felizmente houve algo que me afastou de todo esse lado dramático, que é o facto do filme ter muito humor, muita vida e muita esperança. Mesmo assim, era preciso que eu me afastasse um pouco, porque a doença não é muito agradável, embora no início do filme seja tratada com alguma graça antes de se tornar mais dramática. Mas felizmente o argumento do filme faz rir e sorrir.

Um elenco de luxo
Stéphane Robelin:
Acho que o mais difícil não foi conseguir convencer este elenco excepcional a participar, foi mesmo conseguir equilibrar as agendas de todos para que todos conseguissem estar ao mesmo tempo no plateau. Convencê-los não foi assim tão difícil porque um ator gosta ou não gosta de um argumento e quer ou não quer fazer parte da aventura de filmá-lo. Agora, é verdade que é um elenco que não se vê todos os dias. Felizmente, eles adoraram o argumento e a ideia de fazer um filme coral com colegas da mesma geração.

Jane Fonda e Geraldine Chaplin
Pierre Richard:
Bom, claro que apesar de termos todos muita experiência, é um pouco difícil não se ser esmagado pelo passado de Jane Fonda e de Geraldine Chaplin, não pelo que elas já fizeram mas também por serem filhas de quem são, Henry Fonda e Charlie Chaplin. Mas claro que eu não as quis maçar com perguntas sobre os pais ou as pessoas que elas conheceram. Mas de vez em quando, a Jane Fonda falava casualmente daquela vez em que tinha visitado o Michael Jackson e eu dizia «O quê?», mas depois continha-me. Tive de me ir contendo para não passar a vida a perguntar como era esta e aquela pessoa. Mas a verdade é que elas são tão simples, que não tive problemas. Aliás, foi a Jane Fonda que três dias antes da rodagem me disse «Pierre, importas-te que ensaiemos um pouco depois do almoço, porque tenho algum receio da minha primeira contracena contigo?. Era ela que tinha receio da contracenar comigo, o que é um pouco surreal, convenhamos.

Uma receção surpreendente
Pierre Richard:
Fiquei muito surpreendido com a reação do público. Acompanhei o filme por algumas cidades e muitos jovens de 16 e 17 anos vieram ter comigo no fim para dizer que tinham gostado muito. Fiquei espantado, porque pensava que o tema do filme interessaria mais a uma faixa etária mais avançada, que eles só viveriam estas temas muito à distância.

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