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IndieLisboa 2017 faz do cinema português um "ponto de honra"

Previsto para maio, o festival de cinema independente contou com mais orçamento para programação e fez do cinema português um grande destaque. "Colo", de Teresa Villaverde, faz as honras de abertura.

O festival IndieLisboa, previsto para maio, contou com mais orçamento para programação, fez do cinema português um "ponto de honra" e terá filmes mais narrativos para a secção internacional, revelou hoje a direção.

Traduzindo em número, o 14.º Festival Internacional de Cinema Independente terá, de 3 a 14 de maio, 296 filmes, dos quais 45 são portugueses, e um orçamento de 1.061.500 euros, ligeiramente superior ao ano passado.

Da programação, que é extensa, Miguel Valverde, da direção do IndieLisboa, destacou a maior selecção de sempre de filmes portugueses para as secções competitivas: seis longas-metragens, a maioria em estreia mundial, e 18 curtas-metragens.

Nas longas estão presentes filmes de Jorge Cramez, Rosa Coutinho Cabral, André Valentim Almeida, Miguel Clara Vasconcelos, Pedro Maia e Susana de Sousa Dias. Nas curtas, há filmes de André Gil Mata, Diogo Costa Amarante, Salomé Lamas, Leonor Noivo e Joana Pimenta, alguns já exibidos noutros festivais.

Fora das secções competitivas, a organização destacou ainda dois filmes: "Colo", de Teresa Villaverde (foto de cima), que abrirá o IndieLisboa, e "Rosas de Ermera", que Luís Filipe Rocha rodou em Timor-Leste, com a família de José Afonso.

"O cinema português está a viver um momento excelente, com premiações inúmeras em festivais (...). Contrariando a tendência que se está a viver em Portugal, com as questões com o ICA [Instituto do Cinema e do Audiovisual], júris e financiamentos, à margem disso, os cineastas pegam nas suas equipas e continuam a arranjar maneira de filmar. Talvez seja por essa perseverança que tenhamos recebido este ano muito mais filmes do que é habitual, pelo menos nas longas", disse Mafalda Melo, programadora, à agência Lusa.

Quando à competição de longas-metragens, Mafalda Melo descreveu-a como "uma proposta talvez mais arriscada, maioritariamente composta por primeiras obras. São filmes muito fortes, muito impactantes, que trabalham em terreno narrativo, mas que estão permanentemente a desconstruir fronteiras".

O IndieLisboa já tinha anunciado antes que os "heróis independentes" desta edição serão o realizador norte-americano Jem Cohen e o cineasta francês Paul Vecchiali - ambos estarão em maio em Lisboa - e que o filme de encerramento seria o documentário "I am not your negro", de Raoul Peck, nomeado para os Óscares (foto), sobre a obra inacabada do escritor norte-americano James Baldwin, "Remember This House”.

O IndieJúnior, dedicado a famílias e escolas, já se tornou a maior secção do IndieLisboa; uma aposta da organização pensada a longo termo na formação de públicos: "É muito importante mostrar filmes às crianças para que elas deixem de pensar que só aquilo que veem na televisão e no cinema comercial é aquilo que existe. Porque existe muito mais além disso", afirmou Mafalda Melo.

"São estas crianças que vêm ao IndieLisboa que vão regressar como adultos ao festival", disse.

O "IndieMusic", que pela primeira vez terá um júri, conta com filmes sobre os Oasis, Sleaford Mods, sobre o músico e editor James Lavelle, Frank Zappa e Tony Conrad.

Um dos programas paralelos destacados pelo festival, mas fechado ao público, é o "Lisbon Screenings", com apresentação de alguns filmes portugueses - em diferentes fases de produção - a diretores, programadores de festivais e distribuidores internacionais.

Segundo Miguel Valverde, são convidados intervenientes de festivais como Cannes, Berlim, Locarno, Sundance ou Veneza.

Perante quase 300 filmes, Mafalda Melo deixa uma sugestão aos espectadores: "Não se deixar ofuscar pelos nomes mais conhecidos, mas procurar algumas pérolas escondidas na programação e aproveitar as festas e os concertos do 'Indie by Night'".

Toda a programação está disponível no sítio oficial.

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