Julie Andrews festeja este domingo uns notáveis 88 anos como, mais do que atriz ou estrela, uma lenda consensual.

Mais discreta nos últimos anos, mas ainda a despertar emoções como a voz da mãe de Gru - O Maldisposto em três filmes ou a de Lady Whistledown nesse fenómeno popular que é a série da Netflix "Bridgerton", ou pelos seus livros infantis (alguns escritos com a filha Emma), sem dúvida que dois filmes serão incontornáveis em todas as evocações de mais um aniversário.

O primeiro, claro, é "Mary Poppins" (1964), a estreia em cinema que lhe valeu um Óscar, mas foi o segundo, logo a seguir, "Música no Coração" (1965), que lhe deu o papel que a tornou uma estrela para sempre: o da freira Maria, que vai parar à casa do capitão Von Trapp e das suas sete crianças na véspera da Segunda Guerra Mundial. Ainda não tinha 30 anos...

Como se viu no entusiasmo com que foi recebida pelos seus pares na cerimónia dos Óscares em 2015 e noutros eventos, pouco interessa o que aconteceu antes ou depois destes dois filmes, apesar de títulos estimáveis como "The Americanization of Emily" (1964), "Cortina Rasgada" (1966), "Millie" (1967), "Star!" (1968), "Dueto Só Para Um" (1986) ou "O Diário de uma Princesa" (2001).

Ou o casamento em 1969 com outra lenda, o realizador Blake Edwards, que se revelaria feliz e deu um segundo fôlego à carreira, com "Darling Lili" (1970), "A Semente de Tamarindo", "10 - Uma Mulher de Sonho" (1979), "Tudo Boa Gente" (1981), "Victor, Victoria" (1982) ou "A Vida É Assim" (1986).

Mas a inglesa Julia Elizabeth Wells (Andrews veio do padrasto) estava longe de ser uma inexperiente antes de "Mary Poppins": numa célebre gravação é possível vê-la a cantar o hino para o rei Jorge VI em 1948, quando tinha 13 anos.

Em 1953, a sua voz singular que abrangia quatro oitavas chegava à Broadway, onde rapidamente se impôs e começou a colecionar sucessos. Um deles foi "My Fair Lady": durante dois anos, desempenhou o papel da vendedora de flores que o professor Higgins ensinava a falar e agir como uma senhora, mas quando chegou a altura da versão cinematográfica, o estúdio quis uma estrela e optou por Audrey Hepburn.

A rejeição ficou célebre dentro e fora da indústria, mas depois Walt Disney foi vê-la atuar em "Camelot" e visitou-a a seguir nos bastidores para a convidar a ir a Los Angeles para ver os desenhos e ouvir as canções que tinham "para este novo filme". Grávida na altura, desfez-se em desculpas e recusou, mas Disney insistiu: "Não faz mal, vamos esperar".

Emocionalmente intocáveis e com presença obrigatória nos natais televisivos, "Mary Poppins" e "Música no Coração" continuarão a encantar todas as gerações e preservarão Julie Andrews para sempre nas.. nossas memórias...

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