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"Lumière!": Filmes com mais de 100 anos do início do cinema voltam ao grande ecrã

Alguns dos filmes dos irmãos Louis e Auguste Lumière, feitos há mais de um século voltam às salas de cinema portuguesas, restaurados, num filme de Thierry Frémaux.

Alguns dos filmes dos irmãos Louis e Auguste Lumière, feitos há mais de um século, no começo do cinematógrafo, voltam ao grande ecrã, restaurados, num filme de Thierry Frémaux que se estreia quinta-feira, em Portugal.

Em "Lumière!", Thierry Frémaux, diretor do Instituto Lumière e do festival de cinema de Cannes, montou uma sequência de 114 curtos filmes feitos pelos irmãos Lumière entre 1895 e 1905, que contam a história de um tempo e assinalam o nascimento do cinema.

"Os filmes dos irmãos Lumière são tão desconhecidos, mas tão cheios de coisas, de informação sobre o que somos, que era isso que queríamos fazer com o filme", disse Thierry Frémaux em entrevista à agência Lusa, em Lisboa.

Neste filme feito de filmes, que conta com comentários do próprio Thierry Frémaux, estão lá algumas das filmagens mais conhecidas dos Lumière, como "A saída da fábrica Lumière em Lyon" - considerado o primeiro filme de sempre - "A chegada de um comboio à estação da Ciotat" ou "O almoço do bebé", mas a maioria é desconhecida do público.

Dividido por capítulos, o filme mostra as experiências e as ideias de cinema dos Lumière e de todos os operadores e técnicos que filmaram para eles, registando cenas do quotidiano em França, a vida nas cidades, os primeiros filmes cómicos e gentes de outros pontos do mundo.

"No tempo dos Lumière, a câmara deu uma visão terna do que era diferente. O que me agrada é que o cinema, de imediato, faz duas perguntas: Quem sou e quem são os outros? É a função do cinema!", sublinhou Frémaux.

Com "Lumière!", o programador francês quis que os espectadores tivessem uma experiência que celebrasse a arte do cinema.

"Os filmes são engraçados. Audaciosos. Rudes. Foi o tempo deles. Como disse o poeta Blaise Cendrars, o cinema é a infância do mundo e o filme é isso. Há uma certa fantasia e tragédia ao mesmo tempo sobre o que era suposto o mundo ser. O mundo estava a caminhar para um futuro maravilhoso. Claro que se desmoronou com a primeira guerra mundial, mas há um certo perfume dos tempos", afirmou Thierry Frémaux.

O filme é o resgatar de uma memória - estão lá o primeiro filme de um jogo de futebol, a primeira vez em que aparecem as pirâmides do Egito, o primeiro registo de um gesto colonialista - e surge na sequência de um restauro do património dos irmãos Lumière, de mais de 1.400 filmes.

Thierry Frémaux disse que deverá fazer um segundo filme.

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