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Marrocos proibe «filme ultrajante» sobre prostituição exibido em Cannes

«Much Loved», acusado de ser um «ultraje grave aos valores morais e à mulher marroquina», é realizado por Nabil Ayouch e protagonizado pela atriz Loubna Abidar, que vão ser levados a tribunal.

O filme «Much Loved», de Nabil Ayouch, apresentado na última edição do Festival de Cannes, será proibido em Marrocos porque representa um «ultraje grave aos valores morais e à mulher marroquina», anunciou o governo do país.

A fita aborda o tema da prostituição no Marrocos através da história de várias mulheres. A difusão de alguns trechos nos últimos dias provocou intensas reações no país, contra o seu realizador e a atriz principal, Loubna Abidar.

O governo, liderado por islamitas do partido Justiça e Desenvolvimento, anunciou na noite de segunda-feira que não iria autorizar a sua estreia.

«As autoridades marroquinas competentes decidiram não autorizar a sua projeção», indicou o Ministério da Comunicação em comunicado.

Uma equipa do Centro Cinematográfico Marroquino (CCM), instância encarregada de conceder as autorizações de exploração, «viu o filme durante a sua projeção num festival internacional», em alusão à sua apresentação na Quinzena dos Realizadores de Cannes.

«Representa um ultraje grave aos valores morais e à mulher marroquina e uma afronta flagrante à imagem do reino», acrescentou o texto, citado pela agência MAP.

Uma associação marroquina informou que interpôs uma denúncia «contra Nabil Ayouch, Loubna Abidar e todos os que contribuíram para o filme».

«Prejudica diretamente Marrakech [onde a história se passa] e as suas mulheres e, mais amplamente, Marrocos», disse o presidente da Associação Marroquina de Defesa dos Cidadãos (AMDC), Moustapha Hassnaoui.

Nabil Ayouch, de 46 anos, conhecido, sobretudo, por «Os Cavalos de Deus» (2012), declarou recentemente que «a prostituição está à nossa volta e, em vez de nos negarmos a vê-la, devemos tentar entender como mulheres que tiveram uma trajetória difícil chegaram a ela».

Ayouch informou que antes de rodar o filme, reuniu-se com 200 a 300 mulheres jovens que são ou foram prostitutas.

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