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Maureen O’Hara e Hayao Miyazaki recebem Óscares honorários

A atriz preferida de John Ford e o lendário realizador japonês de «A Viagem de Chihiro» juntam-se ao argumentista Jean-Claude Carrière e ao ativista Harry Belafonte.

Foram anunciadas as personalidades distinguidas com Óscares honorários: a atriz Maureen O´Hara, o realizador japonês Hayao Miyazaki e o argumentista francês Jean-Claude Carrière. O prémio humanitário Jean Hersholt irá para o ator, produtor, cantor e ativista Harry Belafonte.

Votados pelo chamado Board of Governors da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood a 26 de agosto, os prémios serão apresentados na sexta cerimónia dos Governors Awards a 8 de novembro. Recorde-se que a partir de 2009 deixaram de ser atribuídos na própria cerimónia de entrega das estatuetas douradas e passaram a ser concedidos em celebração individual realizada alguns meses antes e sem transmissão televisiva.

Maureen O´Hara, a indomável irlandesa de Dublin que fez «A Pousada da Jamaica» em 1939 às ordens de Alfred Hitchcock e ao lado de Charles Laughton, que a levou para Hollywood para contracenarem em «Nossa Senhora de Paris», tem 94 anos e estranhamente nunca foi nomeada para um Óscar, apesar de filmes como «O Pirata Negro» (42), «Tudo por Ela» (42), «Esta Terra é Minha» (43), «Aventuras de Buffalo Bill» (44), «O Terror dos Sete Mares» (45), «Conflito Sentimental» (46), «Sinbad, o Marinheiro» (47), «De Ilusão Também Se Vive» (47), «Ama Seca de Calças» (48), «O Íntimo Segredo duma Mulher» (49), «No País dos Comanches» (50), «Os Filhos dos Três Mosqueteiros» (52), «No Reino dos Corsários» (52), «O Nosso Agente em Havana» (59), «As Duas Gémeas» (61), «Mr. Hobbs Takes a Vacation» (62) e «Os Nove Irmãos» (63) e «Eu, Tu e a Mamã» (91), onde trabalhou às ordens de Henry King, Jean Renoir, Carol Reed, William A. Wellman, Nicholas Ray, Frank Borzage, George Seaton ou Budd Boetticher, e contracenou com Henry Fonda, James Stewart, Errol Flynn, Tyrone Power, Rex Harrison, John Candy, Joel McCrea e John Garfield.

Não obstante, o ponto alto da sua carreira foram os cinco filmes feitos com o realizador John Ford, que descobriu que ela era tão dura quanto ele durante a rodagem «O Vale Era Verde» (41) e estava perfeitamente ao nível de John Wayne, juntando-os em «Rio Grande» (50), «O Homem Tranquilo» (52) e «A Águia Voa ao Sol» (57). Com Ford ainda faria «Uma Vida Inteira» (55) e com Wayne «McLintock, o Magnífico» (63) e «Eu Julgava-o Morto Mr. Jack» (71).

Com 73 anos, Hayao Miyazaki, responsável máximo pelos estúdios de animação Ghibli e conhecido como o Walt Disney do Japão, já recebeu o Óscar por «A Viagem de Chihiro» e foi ainda nomeado por «O Castelo Andante» (04) e «As Asas do Vento» (13, ainda inédito em Portugal), mas antes já era um nome mais do que consagrado graças a títulos como «Nausicaä do Vale do Vento» (84), «O Castelo no Céu» (86), «O Meu Vizinho Totoro» (88), «Kiki - A Aprendiz de Feiticeira» (89) ou «Porco Rosso - O Porquinho Voador» (92), ainda que o reconhecimento popular a nível global se tenha verdadeiramente dado com «A Princesa Mononoke» (97). O último filme a estrear no nosso país foi «Ponyo à Beira-Mar» (2008).

Jean-Claude Carrière, 82 anos, começou a sua carreira como escritor e ganhou um Óscar com Pierre Étaix pela curta-metragem «Heureux anniversaire» (62). Foi nomeado mais duas vezes pelos argumentos para filmes de Luis Buñuel, «O Charme Discreto da Burguesia» (72) e «Este Obscuro Objecto do Desejo» (77), e ainda por «A Insustentável Leveza do Ser» (88), de Philip Kaufman, mas na sua carreira ainda se contam colaborações com realizadores como Volker Schlöndorff («O Tambor», 79, «O Ogre», 96, «Ulzhan» 07), Jean-Luc Godard («Salve-se Quem Puder», 80), Andrzej Wajda («O Caso Danton», 83, «Os Possessos», 88) e Milos Forman («Os Amores de Uma Adolescente», 71, «Valmont», 88, «Os Fantasmas de Goya», 06). Sozinho ou em co-autoria, está ainda ligado aos argumentos de «A Bela de Dia» (67), «A Piscina» (67), «O Grande Amor» (69), «Borsalino» (70), «Liza, a Submissa» (72), «O Fantasma da Liberdade» (74), «Le Retour de Martin Guerre» (82), «Cyrano de Bergerac» (90), «O Hussardo no Telhado» (95) e «Birth - O Mistério» (04),

O prémio humanitário Jean Hersholt foi para o ator, produtor, cantor e ativista Harry Belafonte, de 87 anos, e naturalmente distingue mais esta última faceta, que se refletiu desde a organização de manifestações ao lado de Martin Luther King ao trabalho como embaixador da boa vontade da UNICEF, do que os contributos cinematográficos, mas títulos «Carmen Jones» (54), «Odds Against Tomorrow» (59) e «O Mundo, a Carne e o Demónio» (59) indiciaram uma preocupação em escolher projetos que denunciassem o racismo e outras desigualdades sociais.

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