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Morreu ícone de Hollywood Mickey Rooney

Do musical ao drama, com Judy Garland ou Audrey Hepburn, Mickey Rooney foi um dos grandes talentos da Idade de Ouro de Hollywood, de que era um dos últimos sobreviventes.

Tinha uma das carreiras artísticas mais longas de sempre: estreando-se em palco aos 17 meses, Mickey Rooney manteve-se a trabalhar praticamente até ao fim da vida, num percurso profissional que abarca dez décadas e que começou ainda no cinema mudo. Nos anos 30 e 40 foi um dos rostos mais populares do mundo, depois viu a sua popularidade cair a pique, mas conseguiu recuperar e manter-se sempre ativo até ao fim, no cinema, no teatro e na televisão. O ator morreu aos 93 anos na sua casa de North Hollywood, em Los Angeles, rodeado pela família.

Mickey Rooney era o nome artístico de Joseph Yule, Jr., nascido em Nova Iorque em 1920 numa família de artistas de «vaudeville». Estreou-se profissionalmente nos palcos logo aos 17 meses, com um «smoking» feito à sua medida, e aos seis anos participou no seu primeiro filme, «Not to be Trusted», em que interpretava um anão. Nas décadas seguintes, a sua carreira foi passada em Hollywood, onde atingiu um primeiro patamar de popularidade como Mickey McGuire, em 78 curtas-metragens humorísticas entre 1927 e 1936.

Depois de interpretar Robin numa versão de «Sonhos de uma Noite de Verão» em 1935, foi contratado pela MGM, onde teria o período mais glorioso da sua carreira. Rapidamente, contracenou com as grandes estrelas da epoca, como Clark Gable em «O Inimigo Público Número Um», Lionel Barrymore em «Juventude Agitada», ou Spencer Tracy em «Lobos do Mar» e «Homens de Amanhã», com este último a provar as suas imensas capacidades em papéis altamente dramáticos.

Mas foi a comédia musical que o tornou uma super-estrela, com o ano de 1937 a tornar-se fundamental por duas razões: trabalhou pela primeira vez com Judy Garland, com quem haveria de formar uma dupla mítica, em «Nasceu um Gentleman», e interpretou o jovem Andy Hardy pela primeira vez no filme «A Family Affair», símbolo de uma juventude virtuosa numa América idealizada, que foi a personagem que mais se lhe colou à pele, e que interpretaria em mais 14 filmes até 1946 e numa falhada tentativa de «revival» em 1958.

Foi essa a sua época de ouro, com comédias musicais tão populares como «De Braço Dado» (1939), ao lado de Garland e às ordens de Busby Berkeley, que lhe valeu a primeira nomeação ao Óscar de Melhor Ator. O seu prestígio era tal que em 1938 conquistou um Óscar juvenil e entre 1939 e 1941 foi considerado a maior estrela de cinema do mundo.

Em 1943 foi nomeado ao segundo Óscar por «A Comédia Humana» e em 1944 estreou-se em papéis de adulto com o drama «A Nobreza Corre nas Veias», com uma jovem Elizabeth Taylor. Cumpriu o serviço militar durante e depois da Segunda Guerra Mundial, mas quando regressou à vida civil, em 1948, a sua popularidade declinou a pique.

Não impressionaram musicais como «Os Alegres Namorados» ou «Os Reis do Espectáculo», e nos 15 anos seguintes as tentativas de recuperação de carreira pareciam infrutíferas. Porém, Rooney nunca parou, apostando intensivamente na televisão, tentando a realização em 1951 com «My True Story» e 1960 com «The Private Lives of Adam and Eve», conseguindo apenas sucesso no drama de guerra «Os Bravos Também Amam», que lhe valeu a nomeação ao Óscar de Melhor Ator Secundário.

Em 1961, voltou a dar que falar com a personagem chinesa que interpretou em «Boneca de Luxo», de Blake Edwards, mais tarde criticada como racista pelos traços excessivamente caricaturais, mas em 1962 declarou falência. Depois recuperou, com papéis de composição no cinema e inúmeras participações na televisão e no teatro.

Na viragem para os anos 80, a sua carreira atingiu um novo pico de popularidade com o imenso sucesso da peça musical «Sugar Babies», a nomeação ao Óscar de Melhor Ator Secundário por «O Cavalo Preto», a conquista do Globo de Ouro e do Emmy pelo telefilme «Bill» e o Óscar honorário de carreira em 1983.

Continuou sempre a trabalhar intensamente, surgindo em pequenos papéis em filmes como «À Noite no Museu» (2006) e «Os Marretas» (2011). O seu último filme foi o documentário «Last Will and Embezzlement», sobre a exploração financeira dos mais velhos, que ele próprio terá sofrido às mãos do enteado, que denunciara em tribunal um ano antes.

Rooney foi casado oito vezes, a primeira das quais com Ava Gardner, e teve oito filhos.

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