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Morreu Leonard Nimoy, o eterno Mr. Spock

O ator, realizador, poeta, cantor e fotógrafo, foi o ser de Vulcano na saga original «Star Trek». Tinha 83 anos.

Leonard Nimoy faleceu em casa esta sexta-feira vítima de doença pulmonar obstrutiva aos 83 anos, após uma breve hospitalização final, confirmou a sua esposa ao New York Times.

Nos últimos meses, o ator, que deixara de fumar há mais de 30 anos, fizera várias visitas ao hospital e na segunda-feira partilhou no Twitter o que seria a sua despedida:

«A life is like a garden. Perfect moments can be had, but not preserved, except in memory. LLAP» [A Vida é como um jardim. Podem ter existido momentos perfeitos, mas não preservados, exceto na memória. Vida longa e próspera.»

«LLAP» [Live Long and Prosper], era, claro está, uma referência ao papel que lhe deu reconhecimento a nível mundial: Mr. Spock, o ser do planeta Vulcano, na série televisiva de culto dos anos 60 «Star Trek - O Caminho das Estrelas», que retomaria mais tarde no cinema ao longo de seis filmes.

Nascido a 26 de março de 1931 (Boston, Massachusetts), filho de pais judeus originários de um território que atualmente pertence à Ucrânia, começou por produções amadoras em teatro quando ainda era adolescente.

Após servir no exército, teve dezenas de pequenas participações em cinema e principalmente na televisão na década de 50 e meados de 60, em séries como «Dragnet», «Bonanza», «Perry Mason», «A Quinta Dimensão» e «Os Intocáveis», entre muitas outras.

Foi efetivamente o papel de Spock, meio-vulcano, meio humano, ao lado de William Shatner, que considerava um irmão, DeForest Kelley e outros, que o tornou uma estrela: não obstante ter sido cancelada ao fim de três temporadas, a série abriu-lhe as portas para o papel de Paris/Emil Vautrain noutra popular série já em exibição na altura, «Missão: Impossível».

Nos anos 70, seguiu outros interesses artísticos, estudando fotografia na Universidade da Califórnia. Quando, no final dos anos 70, se falou na possibilidade de recuperar «Star Trek» para a televisão, verificou-se que apenas poderia participar em dois dos 11 episódios previstos, mas quando se avançou afinal com uma versão para o cinema, concordou em retomar a sua personagem.

Realizado por Robert Wise, o mesmo dos oscarizados «West Side Story» e «Música no Coração», «O Caminho das Estrelas» foi um grande sucesso em 1979. A consolidação da saga com «Star Trek II: A Ira de Khan» (82) conduziu-o para trás das câmaras e à realização dos filmes seguintes, «A Aventura Continua» (84) e «Regresso à Terra» (86). Participou ainda nos dois filmes seguintes, «A Última Fronteira» (89) e «Star Trek VI: O Continente Desconhecido» (1991), altura em que o elenco, manifestamente envelhecido, passou o legado a uma «Nova Geração».

Em 1975, quando chamou «I Am Not Spock» à sua autobiografia, Leonard Nimoy gerou polémica junto dos fãs, que julgavam que se estava a distanciar da personagem. Na verdade, o livro incluía diálogos entre o ator e Spock, não escondendo uma relação de amor/ódio.

Com o segundo volume, «I Am Spock», publicado em 1995, reconhecia finalmente que tantos anos a interpretar Spock conduziram a uma identificação muito maior, tanto mais que Nimoy tinha uma contribuição muito ativa na sua definição: vale a pena recordar que a célebre saudação vulcana que junta os dedos (o indicador com o médio e o anular com o minimo) é uma referência à posição da mão sagrada usada pelos judeus.

Finalmente em paz, concordou em interpretá-lo numa versão mais velha numa muito saudada participação no relançamento da saga em 2009 realizada por J. J. Abrams, regressando ainda por breves instantes para a sequela de 2013, «Além da Escuridão: Star Trek», a sua despedida do cinema.

Em 2011, emprestou a voz a Sentinel Prime, o mentor e antecessor de Optimus Prime em «Transformers 3». Pelo meio participou em muitos encontros com os fãs,

Para além de «Star Trek», realizou em 1987 aquele que viria a seu maior sucesso comercial, a comédia «Três Homens e um Bebé», versão americana de um filme francês. Com resultados menos interessantes dirigiu ainda o drama «O Preço da Paixão» (88), com Diane Keaton e Liam Neeson, e as comédias «Funny About Love» (90) com Gene Wilder, e «Santo Matrimónio» (94) com Patricia Arquette e Joseph Gordon-Levitt.

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