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Morreu John Hurt, lendário ator britânico de "O Homem Elefante" e "Alien"

O ator britânico John Hurt morreu esta sexta-feira depois de uma longa batalha contra o cancro. Teve os seus papéis mais emblemáticos em "O Homem Elefante", "Alien - O 8º Passageiro" e "O Expresso da Meia-Noite".

A imprensa britânica avançou que o ator morreu esta sexta-feira aos 77 anos, após uma longa batalha contra um cancro do pâncreas.

John Hurt, que nasceu a 22 de janeiro na cidade inglesa de Derbyshire, teve uma carreira prolífica, intensa e variada de mais de 50 anos, no teatro, no cinema e na televisão, e ficou conhecido por papéis em filmes tão diversos como "O Homem Elefante", "O Expresso da Meia-Noite", "A Toupeira", "Alien - O 8º Passageiro" ou na saga "Harry Potter".

Ao New York Times, em 1990, o realizador David Lynch, de "O Homem Elefante", disse que Hurt era "simplesmente o melhor ator do mundo".

Em julho de 2015, John Hurt recebeu o título de "Cavaleiro" que a rainha Isabel II concede aos cidadãos de grande relevância..

Nomeado ao Óscar de Melhor Ator Secundário por "O Expresso da Meia-Noite" e de Melhor Ator por "O Homem Elefante", Hurt revelou que sofria de cancro no pâncreas em junho de 2015, mas não parou a sua carreira e continuou a representar. "Não posso dizer que me preocupe com a mortalidade", disse nessa altura o ator à Radio Times, "mas é impossível chegar à minha idade e não a contemplar um pouco. Estamos todos a passar tempo e ocupamos a nossa cadeira de forma muito breve".

Uma carreira prolífica e versátil, de "O Homem Elefante" a "Harry Potter"

John Hurt Harry Potter

Filho de uma atriz amadora, Hurt estudou numa escola de artes com a intenção inicial de se tornar professor, mas deixou essa carreira para trás quando conseguiu uma bolsa para a Royal Academy of Dramatic Art, em Londres, e se dedicou em pleno à profissão de ator.

Depois uma série de pequenos papéis na televisão, Hurt estreou-se nos palcos britânicos em 1962, com "Infanticide in the House of Fred Ginger", e logo em seguida, aos 22 anos, participou na sua primeira-longa metragem no cinema, o drama romântico "The Wild and The Willing", onde também se estreou Ian McShane, então com 20 anos.

Um primeiro sabor de sucesso chegou logo em 1966, quando interpretou o papel secundário de Richard Rich no clássico "Um Homem para a Eternidade", de Fred Zinnemann, que conquistou seis Óscares, incluindo o de Melhor Filme. A partir daí, a sua participação em projetos americanos tornou-se regular, muitas vezes filmados em Inglaterra, onde continuou sempre a trabalhar. Em 1969, John Huston deu-lhe um dos primeiros papéis principais em "Davey o Folgazão", mas que seria um flop.

Logo em 1971, com o papel do homem injustamente acusado de assassínio de "O Violador de Rillington", de Richard Fleischer, recebeu as primeiras distinções, nomeadamente a nomeação ao BAFTA de Melhor Ator Secundário. E ao longo dos anos 70, o seu prestígio foi aumentando de forma sustentada, quer com filmes de realizadores de renome, como Jacques Demy em "A Flauta Mágica", quer com participações televisivas que cativaram todos os elogios, como o papel de Quentin Crisp em "The Naked Civil Servant" ou de Calígula na série "Eu, Cláudio".

A década culminou com a sua participação nos enormes sucessos que foram "O Expresso da Meia Noite", que lhe valeu a nomeação ao Óscar de Melhor Ator Secundário e, principalmente, "Alien, o 8º Passageiro", em que está no centro de uma cena que se tornou das mais míticas e inesquecíveis da história do cinema: é do seu peito que explode a criatura alienígena que horrorizou o mundo. Aliás, Hurt também ficou conhecido por ter morrido muitas (demasiadas) vezes no ecrã. Foram cerca de 40, as vezes em que o destino das suas personagens foi a morte.

Em 1980, David Lynch deu-lhe aquele que porventura se tornou o seu papel mais emblemático, o de John Merrick em "O Homem Elefante", uma figura dramática com uma severa deformação física que tornou o intérprete irreconhecível em todo o filme, e lhe valeu o BAFTA para Melhor Ator e nomeações ao Óscar e ao Globo de Ouro.

No coração do grande público

A partir daí, a sua carreira foi marcada pela variedade de registos e de públicos. Logo em 1983 participou no thriller de ação "Fim-de-Semana em Osterman", de Sam Peckinpah, e a seguir protagonizou a adaptação da distopia "1984", no papel principal de Winston Smith, e teve também o papel de protagonista e narrador da popular série televisiva juvenil de Jim Henson "The Storyteller", cuja personagem surgia sempre ao lado de um cão muito falador. Aliás, a sua voz muito característica seria usada nos projetos mais diversos, desde a personagem do Horned King no filme da Disney "Taran e o Caldeirão Mágico" à voz do narrador de "Dogville", de Lars von Trier, com quem voltaria a trabalhar em "Melancolia".

A incursão no cinema fantástico, após o sucesso de "Alien", também se tornou comum no ator, que vimos em papéis relevantes em películas como "Hellboy" (2004), "V de Vingança" (2005), "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" (2008) ou "Snowpiercer - Expresso do Amanhã" (2013), e que acabaria por ser fundamental para receber um prémio especial no Fantasporto, que o trouxe a Portugal em 2005.

Foi aliás em ambiente fantástico que Hurt conseguiu duas das personagens mais emblemáticas da sua carreira junto de uma grande legião de fãs. Uma delas surgiu logo em 2001, a do Sr. Ollivander, dono da loja de varinhas mágicas em "Harry Potter e a Pedra Filosofal", que repetiu em "Harry Potter e os Talismãs da Morte - Parte 1", de 2010, e no último filme da saga, em 2011. A outra foi já em 2013 a do War Doctor, na popular série britânica "Doctor Who", em que encarnava uma versão esquecida do protagonista.

Com vários projetos em carteira, voltaremos a ver John Hurt nas salas de cinema portuguesas já em fevereiro no papel de padre no filme "Jackie", nomeado a três Óscares.

Reações à morte do ator nas redes sociais

São várias, as caras conhecidas que têm partilhado nas redes sociais as suas reacões à morte do ator. Stephen Fry, J.K. Rowling, Octavia Spencer ou Kevin Smith foram apenas alguns dos nomes a fazê-lo.

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