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Morreu o ator e dramaturgo Sam Shepard

O ator, realizador e dramaturgo Sam Shepard, um dos mais relevantes nomes do teatro americano com uma carreira de relevo também no cinema, morreu este domingo, aos 73 anos, na sua casa do Kentucky. Shepard sofria de esclerose lateral amiotrófica.

Um porta-voz da família de Shepard confirmou a morte do ator, adiantando que se deveu a complicações decorrentes de esclerose lateral amiotrófica, de que sofria.

Sam Shepard foi uma das figuras maiores do teatro americano, mas deixou bem vincada a sua presença no cinema, em filmes como “Os Eleitos”, “Crimes do Coração”, “O Dossier Pelicano”, “August: Osange County” ou “Mud”.

O ator foi nomeado ao Óscar de Melhor Ator Secundário pelo filme "Os Eleitos". É também o autor de mais de 40 peças de teatro, assim como vários livros.

Enquanto dramaturgo, escritor ou ator, Sam Shepard foi uma das figuras mais influentes das artes de palco norte-americanas do ultimo meio século, autor de 44 peças, entre as quais “Curse of the Starving Class”, “True West”, “Fool for Love” ou “Buried Child”, que lhe valeu o Prémio Pulitzer em 1978. As margens da sociedade rural americana foram especialmente focadas no seu trabalho, muitas vezes com assinaláveis toques de surrealismo e humor negro.

"Cowboys", "The Rock Garden" e "La turista", esta uma alegoria sobre a Guerra no Vietname, foram as primeiras peças de teatro que escreveu, na década de 1960. Nos anos seguintes receberia vários prémios Obie, de teatro, por diversos textos dramatúrgicos.

A carreira no cinema foi sempre decorrendo em paralelo com a intensa atividade teatral, inicialmente apenas como argumentista, estreando-se em 1969 com “Me and My Brother”, de Robert Frank, e prosseguindo no ano seguinte com “Zabriskie Point – Deserto de Almas”, de Michelangelo Antonioni. A entrada na intepretação faz-se em 1978 pela mão de Terrence Malick no seu segundo filme, “Dias do Paraíso”, ao lado de Richard Gere.

Logo de seguida brilhou em “Ressurreição” (1980) e “Frances” (1982) e em 1983 atingiu um primeiro momento de sucesso no grande ecrã no papel de Chuck Yeager no hoje clássico “os Eleitos” (1983), de Phillip Kaufman, que lhe valeu a nomeação ao Óscar de Melhor Ator Secundário.

Foi a sua época de maior êxito no cinema, já que por essa altura protagonizou também “Country – A Minha Terra”, ao lado de Jessica Lange, com quem viveu durante cerca de 30 anos, e também “Fool for Love”, com Kim Basinger, que Robert Altman adaptou da peça homónima de sua autoria, e que em Portugal teve o título de “Ligações Quentes”.

Depois, quase sempre em sumarentos papéis secundários, fomo-lo reencontrando muitas vezes ao longo dos anos, em títulos como “Crimes do Coração” (1986), de Bruce Beresford, “Flores de Aço” (1989), de Herbert Ross, “O Dossier Pelicano”, de Alan J. Pakula, “A Neve Caindo Sobre Cedros” (1999), de Scott Hicks, “A Promessa” (20019; de Sean Penn, “Black Hawk Down – Cercados” (2001), de Ridley Scott, “Estrela Solitária” (2005), de Wim Wenders (com quem já tinha colaborado no argumento do seminal “Paris, Texas”), “O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford” (2007), de Andrew Dominik, “August: Osage County” (2013) de John Wells, e “Mud” (2012) e “Midnight Special” (2015), de Jeff Nichols.

Vimo-lo pela última vez no cinema em “In Dubious Battle – Batalha Incerta”, a adaptação que James Franco fez do romance de John Steinbeck. Teve ainda um papel em "Never here", filme de Camille Thoman exibido em junho passado no Festival de Cinema de Los Angeles sem estreia marcada para Portugal.

Tentou ainda a realização para cinema por duas vezes, mas sem deixar grande rasto: primeiro com o drama “Ordem de Execução” 1988), protagonizado por Jessica Lange, e depois com o western “Silent Tongue” (1994), de Richard Harris, Alan Bates e uma das últimas intepretações de River Phoenix.

Tocou ainda bateria e guitarra no grupo rock Holy Modal Rounders, viveu com Patti Smith e Jessica Lange, parceria de quase trinta anos, e chegou a integrar, na década de 1970, a digressão "Rolling Thunder Revue", de Bob Dylan.

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