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Nacionalistas querem proibir entrada de Angelina Jolie no Japão

A atriz e realizadora é descrita como um demónio e acusada de racismo por fazer um filme, «Invencível», que não tem «credibilidade».

Nacionalistas japoneses consideraram Angelina Jolie um «demónio» e exigem que seja banida de viajar para o país por causa da forma «imoral» como retrata os seus guardas prisionais durante a Segunda Guerra Mundial em «Invencível», o seu novo filme como realizadora.

«Invencível» baseia-se no livro escrito por Laura Hillenbrand sobre a heróica história do atleta Louis Zamperini (interpretado pelo britânico de 24 anos Jack O'Connell), que disputou a prova dos 5 mil metros nos Jogos Olímpicos de Berlim (1936) antes de se alistar para combater na Segunda Guerra Mundial.

Quando o seu avião, com 11 tripulantes, caiu no Pacífico Sul durante uma operação de busca e salvamento, passou 47 dias à deriva numa balsa, com outro tripulante, até que foram capturados por soldados japoneses nas Ilhas Marshall.

Enquanto prisioneiro de guerra durante dois anos, Zamperini foi agredido e torturado. O seu maior algoz foi Mutsushiro Watanabe (1918-2003) (interpretado pelo ator e estrela «pop» Miyavi), que recebeu dos prisioneiros a alcunha «O Pássaro» e nunca julgado por crimes de guerra.

Muitos anos mais tarde, o antigo prisioneiro perdoou o seu torturador, procurando marcar um encontro de reconciliação, o que o japonês recusou.

A biografia de 2010 já deixara os nacionalistas japoneses furiosos com as descrições dos prisioneiros americanos espancados, queimados, esfaqueados ou espancados até à morte, ou ainda alvejados a tiro, decapitados, mortos durante experiências médicas ou comidos vivos em rituais de canibalismo.

As atenções viraram-se agora para o filme, que consideram «pura ficção» e sem «qualquer credibilidade». Hiromichi Moteki, secretário-geral de uma «Sociedade para a difusão de factos históricos», um grupo de «lobby», declarou que o filme «é pura fabricação. Se não existe prova das coisas que o livro diz, então qualquer pessoa pode fazer essas alegações. Este filme não tem qualquer credibilidade e é imoral».

Algumas campanhas nas redes sociais acusam ainda a estrela de «discriminação racial» contra o povo japonês e de «difamar o Japão» enquanto nação, enquanto outros japoneses exigem que seja impedida de visitar o país para sempre. Uma petição descrevendo-a como um «demónio» e a exigir que a distribuição de «Invencível» seja cancelada por «contrariar os factos» já reuniu mais de oito mil assinaturas.

No entanto, outros ativistas estão furiosos por estas reações poderem refletir que o país não quer assumir responsabilidade por atrocidades confirmadas por inúmeros testemunhos e provas forenses, incluindo o canibalismo tanto de prisioneiros como de soldados japoneses.

Zamperini morreu em julho, aos 97 anos, e ainda viu o filme num computador portátil no quarto do hospital. «Assistiu com muita concentração, como um homem que sabe que está a sofrer e viu a sua vida passar diante dos seus olhos», recordou Jolie. «E sorriu quando viu a sua mãe e disse «Pete» quando viu o ator que interpreta o seu irmão Pete [Alex Russell]. É a vida dele».

«Invencível» estreia a 8 de janeiro em Portugal.

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