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Nova versão de «Poltergeist» tem tecnologia áudio desenvolvida em Leiria

O filme, que estreia em Portugal na quinta-feira, é a primeira produção de Hollywood com tecnologia áudio desenvolvida pelo docente do Instituto Politécnico de Leiria Nuno Fonseca.

O filme «Poltergeist», que estreia em Portugal esta quinta-feira, é a primeira produção de Hollywood com tecnologia áudio desenvolvida pelo docente do Instituto Politécnico de Leiria Nuno Fonseca, que permite criar milhares de sons em simultâneo.

«É um orgulho saber que a investigação que uma pessoa faz é considerada útil pela comunidade do cinema que, por norma, é exigente, e por Hollywood, que é a primeira liga do cinema mundial», disse hoje à agência Lusa Nuno Fonseca.

O docente de Leiria, de 39 anos, afirmou que já houve outros filmes que utilizaram tecnologia que desenvolveu, «mas na área musical», pelo que ««Poltergeist» é o primeiro filme em que é utilizado este software».

Segundo informação do Politécnico de Leiria, o filme da 20th Century Fox «é um remake do famoso filme de terror dos anos 1980, filme original escrito e produzido por Steven Spielberg», e usa nas cenas mais complexas o software desenvolvido por Nuno Fonseca, uma tecnologia que «permite a criação de efeitos sonoros extremamente complexos, permitindo utilizar milhares ou até milhões de sons em simultâneo».

«Embora os sistemas de partículas sejam muito usados em efeitos visuais e em computação gráfica para recriar efeitos como fogo, fumo e chuva», o docente «conseguiu adaptar a tecnologia para a área do som», adianta a instituição.

O politécnico acrescenta que o responsável pela equipa de pós-produção áudio de «Poltergeist» e que esteve, também, nos filmes «Oz: O Grande e Poderoso» e «Homem-Aranha» 2 e 3, usou o software para simular o som de dezenas de fantasmas em simultâneo.

«Ele informou-me que sentiu falta de tecnologia deste tipo, o que vem provar que este software é uma mais-valia para as grandes produções cinematográficas», declarou Nuno Fonseca.

O Politécnico explica que atualmente o processo de «sound design» é essencialmente manual, adicionando som a som até se obter o resultado desejado, «mas esta tecnologia permite criar facilmente o som de cenas complexas, como por exemplo, uma batalha com milhares de soldados a combater».

O docente no departamento de Engenharia Informática da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico de Leiria e coordenador da licenciatura em Jogos Digitais e Multimédia referiu que «há outros filmes que estão já a utilizar o mesmo software», salientando que continua a trabalhar nesta tecnologia de forma a «torná-la melhor, com mais funcionalidades para, no futuro, haver um lançamento comercial».

Nos últimos meses, Nuno Fonseca fez algumas viagens a Los Angeles e São Francisco, nos Estados Unidos, tendo dado palestras nos estúdios 20th Century Fox, Paramount Pictures, Universal e Skywalker Sound (Disney).

«Neste momento, os seis maiores estúdios de Hollywood e a Playstation Studios estão a testar o software, enquanto em Inglaterra os testes estão a ser feitos no Pinewood Studios e na BBC, além de outros estúdios de pós-produção, incluindo portugueses», acrescentou Nuno Fonseca.

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