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Pais americanos mais insensíveis à violência e sexo nos filmes

A conclusão é de um estudo sobre as atitudes de pais com filhos entre os 6 e 18 anos e essa permissividade pode ter consequências sociais dramáticas.

Um estudo do Annenberg Public Policy Center (APPC), na Universidade da Pensilvânia, mostra que quanto mais cenas de violência e sexo os pais norte-americanos vêem no cinema e televisão, mais permissíveis são em relação à idade com que os seus filhos podem assistir a esses conteúdos. Um dos investigadores considerou mesmo os resultados «assombrosos».

«O crescimento da violência e do uso de armas nos filmes PG-13 [aceitáveis para público adolescente] significa que muitas crianças conseguem ir às salas de cinema e ver violência explícita. Queríamos descobrir por que razão os pais não se mostram mais preocupados. Porque estava isto a acontecer sem resistência?».

Para o descobrir, os investigadores mostraram a 1.000 pais a nível nacional cenas de seis filmes com classificações PG-13 ou R [conteúdos aconselhados a espetadores adultos], como «O Exterminador Implacável», «8 Mile», «Colateral», «007 - Casino Royale» ou «Busca Implacável 2».

Após cada cena que mostrava um conteúdo sangrento ou erótico, perguntava-se aos pais que idade uma criança deveria ter para ver o filme. Sexo parece ser mais tabu do que violência, mas por margem muito estreita. Após conhecerem os resultados, um dos investigadores referiu que esperavam uma certa «dessensibilização» dos pais ao visionar as cenas, mas foi absolutamente «surpreendente como o padrão era claro e dramático».

Independentemente da ordem com que eram mostradas as cenas, os pais começaram por dar respostas relativamente conservadoras, indicando que, em média, uma criança devia ter cerca de 17 anos antes de puder ver o filme em questão. A cada nova cena, os pais reduziam essa avaliação e quando se chegava à última, estes já estabeleciam uma idade média de 13,9 anos para ver filmes violentos e 14 para os filmes que incluíam conteúdos sexuais.

Desde sempre que existe nas sociedades modernas, mas em particular na dos EUA, uma preocupação com a forma como os filmes são classificados para o público. Pediatras e outros defensores dos direitos das crianças têm alertado para a quantidade crescente de violência mostrada na televisão e no grande ecrã. Estudos recentes indicam que esta cresceu de forma estrondosa desde 1985 e que as cenas com armas nos filmes mais rentáveis para adolescentes triplicou nesse período, chegando a um ponto em que é mais comum do que nos títulos classificados para adultos.

Os investigadores do estudo da APPC indicam que a categorização como PG-13 de filmes com esse tipo de cenas pode dever-se precisamente à «dessensibilização», uma vez que as pessoas a trabalhar na Motion Picture Association of America (MPAA), que atribui as classificações, são expostas de forma contínua às mesmas.

Os autores do estudo defendem que podem existir custos sociais associados a esta maior permissividade: «Estamos a fazer as nossas crianças passar por uma enorme exposição à violência das armas e numa sociedade em que existe uma grande quantidade de armas, isso pode influenciar as atitudes das pessoas».

Uma porta-voz da MPAA recusou fazer comentários ao estudo, mas encaminhou as questões sobre as políticas de classificação dos filmes para o sítio da organização, que refere que o «sistema dá informações importantes aos pais sobre o conteúdo de um filme, mas em última análise, cabe-lhes a decisão final sobre se um filme é apropriado para a sua família».

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